Mundo
29/11/2008 - 09h29

Documentarista diz que terroristas de Mumbai queriam atenção internacional; ouça

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colaboração para a Folha Online

Os atentados que deixaram ao menos 148 mortos na cidade indiana de Mumbai, desde a quarta-feira (26), foram motivados para chamar a atenção internacional. A opinião é de Sérgio Túlio Caldas, escritor e jornalista brasileiro que passou cerca de três anos na Índia produzindo documentários sobre a cultura do país.

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Ele diz que Mumbai, importante centro de negócios indiano, representa bem a "suntuosidade" herdada pela colonização britânica no país, que durou até 1947. Os alvos dos atentados, dois hotéis de luxo, um bar e uma estação de trem, revelam bem a intenção dos terroristas de atacar estrangeiros ocidentais, opinou o jornalista.

Quanto à repercussão internacional dos atentados, Caldas afirma que a grande preocupação é a relação conflituosa entre Índia e Paquistão. Isso porque o governo indiano já indicou uma possível participação de paquistaneses nos ataques. Os países vivem em conflito há décadas, especialmente no norte do país, onde disputam a região da Caxemira.

"Para o mundo inteiro isso é muito grave, um conflito ali, porque os dois países são potências com armamento nuclear", disse.

Em depoimentos dados a canais de TV locais, supostos terroristas reclamaram de "tratamento injusto" dado aos muçulmanos na Índia.

Sobre essa alegada rejeição, Caldas afirma que a própria sociedade indiana é marcada por uma profunda estratificação social. Nela, os muçulmanos, que são minoria, têm dificuldade de ascensão social.

"Apesar dessas castas serem proibidas por lei, elas são muito sintomáticas da estrutura social porque as pessoas das castas mais baixas não conseguem ascender a empregos melhores e a cargos políticos. Os muçulmanos não participam muito da formação política da Índia. Eles vivem à margem", afirma o documentarista.

A vivência nas cidades, porém, não demonstra um clima de confronto aberto, diz.

Caldas diz que os conflitos sociais existem e quando ficam exacerbados, como no caso dos atentados, costumam gerar uma cadeia de violência.

 

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