Líder da oposição da Índia critica governo e diz que terroristas vieram pelo mar
da Folha Online
O líder da oposição da Índia, Shri L.K. Advani, do radical hindu Partido do Povo Indiano, afirmou nesta sexta-feira que os terroristas responsáveis pelos ataques desta quarta-feira (26) em Mumbai não são indianos e chegaram à cidade pelo mar. Advani, que é candidato a premiê nas eleições gerais de maio de 2009, criticou o governo por desviarem os esforços para combater "os assim chamados grupos terroristas hindus".
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| Altaf Qadri/AP |
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| Soldado indiano mira o hotel Taj Mahal, em Mumbai, onde dois a três terroristas mantêm reféns há mais de 48 horas nesta sexta-feira |
Na quinta-feira, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, também afirmou que os ataques terroristas em Mumbai têm participação de grupos estrangeiros. A declaração foi entendida como uma acusação ao governo Paquistão, já que os dois países vivem tensão histórica pela disputa da Caxemira.
O líder da oposição foi a Mumbai nesta sexta-feira, onde visitou locais que foram atacados na quarta-feira, além de um hospital com 102 feridos dos atentados que deixaram cerca de 148 mortos e 327 feridos.
Segundo Advani, a abordagem sem seriedade do governo ao terrorismo é reforçada por relatos de que os terroristas de Mumbai chegaram pelo mar. Ele diz que as agências oficiais têm alertado o Ministério do Interior sobre a possibilidade de terroristas chegarem pelo litoral, mas o governo não fez nada para fortalecer a Marinha ou a Guarda Costeira.
Ameaça externa
"Como resultado, há relatos de que dois navios-mãe deixaram os terroristas de Mumbai a 15 milhas náuticas da costa de Mumbai, e eles conseguiram chegar ao seu destino sem serem interceptados", afirmou, em nota.
Advani diz ainda que o grau de planejamento e quantidade de munição usada indicava que os terroristas provavelmente não eram indianos. "Minhas suspeitas foram confirmadas quando o governo de Maharashtra [estadual] me disse que um terrorista admitiu ter chegado pelo mar. Agora parece que o telefone celular de um terrorista tem origem paquistanesa."
O político afirma que tais fatos reforçam o que ele vem afirmando, de que as agências de inteligência têm desviado a atenção para o "assim chamado terror hindu", o que teria permitido os terroristas de Mumbai passarem despercebidos.
Reiterando a crítica da oposição, de que o governo é não é duro o suficiente com os terroristas, ele disse esperar que o governo passe a ter uma "resposta robusta e tolerância zero ao terrorismo."
"Numerologia"
"Para começar, insto novamente o primeiro-ministro a realizar uma conferência de chefes de ministérios de todos os Estados da costa oeste para ativar uma estratégia firme para lidar com a nova ameaça do terror vinda do mar."
O político afirma que há uma coincidência desde 2002, pois "quase todos os grandes ataques terroristas na Índia ocorreram nos dias 13 ou 26 do mês". "Apenas neste ano, a explosão de Jaipur ocorreu em 13 de maio, seguido por Ahmedabad, dia 26 de julho, Nova Déli no dia 13 de setembro e agora Mumbai, no dia 26 de novembro", afirma Advani.
"Me pergunto se teremos de apelar à numerologia que à inteligência para antecipar ataques terroristas."
O número de mortos nos atentados subiu para 148 nesta sexta-feira, enquanto outras 327 pessoas estão feridas. Agências internacionais como a Associated Press falam em 150 mortos, e a rede local IBN, afiliada à CNN, cita 160 mortos.
Ataques
Após tomar o controle do hotel Oberoi Trident e de um centro judaico, as forças de segurança indianas tentam eliminar a última resistência --cerca de dois ou três terroristas entrincheirados no hotel Taj Mahal, com ao menos dois reféns em seu poder. O grupo se move entre dois andares do hotel, segundo o general Noble Thamburaj, comandante da Região Militar do Sul da Índia e encarregado de coordenar a operação contra os terroristas.
Ao longo do dia, as tropas indianas tomaram primeiro o controle do hotel Oberoi, que percorreram andar por andar, indo em todos os quartos e libertando os hóspedes presos no local. Durante a operação, mataram dois terroristas e encontraram 24 cadáveres, de acordo com fontes oficiais.
Mais tarde nesta sexta, as tropas invadiram o centro judaico Chabad Lubavitch, construção de cinco andares, à qual chegaram ao descer de helicópteros através de cordas.
Os agentes se enfrentaram durante duas horas com os terroristas e mataram dois deles, segundo Dutt. Ele afirmou que os terroristas mataram cinco dos oito reféns que mantiveram no centro, entre eles o rabino e a sua esposa, cujo filho de dois anos foi levado por um cozinheiro que fugiu do local.
O ataque contra a capital financeira da Índia começou nesta quarta-feira (26), quando um número ainda indeterminado de terroristas se espalhou por regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Mahal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.
Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito freqüentado por turistas e gente de "Bollywood", a indústria cinematográfica indiana. É neste bar, inclusive, que caças-talento procuram novos rostos para participar de filmes.
Com agências internacionais
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