Tragédia em Mumbai chega ao fim, diz polícia indiana; mortos somam 160
da Folha Online
Após uma ofensiva durante quase toda a madrugada contra o hotel de luxo Taj Mahal, em Mumbai (Índia), a polícia e as Forças Armadas indianas deram fim a uma tragédia que já durava quase quatro dias. Terroristas armados atacaram diversos locais na maior cidade indiana, o centro financeiro do país, e mataram ao menos 160 pessoas.
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| Altaf Qadri/AP |
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| Soldado indiano mira o hotel Taj Mahal, em Mumbai, onde terroristas mantiveram reféns por quase 60 horas |
Três terroristas foram mortos no hotel Taj, considerado como o último bastião dos insurgentes em Mumbai. Nesta sexta-feira (28), as tropas indianas tomaram o controle do hotel Oberoi e invadiram o centro judaico Chabad Lubavitch. Ambos os locais eram usados pelos criminosos para manter reféns após o massacre de quarta-feira.
"Matamos três terroristas no início da manhã [deste sábado] no Taj Mahal", disse o general Hassan Gafoor, quase 60 horas após o início dos ataques. "Todas as operações acabaram. Todos os terroristas foram mortos."
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| O hotel Taj Mahal Palace & Tower foi fundado em 1903 pelo avô do megaempresário Ratan Tata e recebeu governantes de todo mundo |
Após a declaração oficial das mortes dos insurgentes, os comandos realizaram uma varredura nos 565 quartos do hotel para verificar se ainda havia algum terrorista escondido. Diversas explosões foram ouvidas no hotel, de 105 anos, durante toda a madrugada (hora local), assim como o tiroteio entre os terroristas e as forças policiais.
O ataque contra a capital financeira da Índia começou na quarta-feira (26), quando um número ainda indeterminado de terroristas avançou contra os mais luxuosos hotéis de Mumbai --Taj Mahal e Trident-Oberoi--, uma estação de trem e o restaurante Café Leopold, freqüentado por turistas, entre outros pontos.
| Divulgação |
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| Segundo hotel mais luxuoso de Mumbai, o Oberoi Trident tem seis restaurantes |
Vítimas da tragédia
Dados oficiais do governo registraram 160 mortos nos ataques desde quarta-feira, entre eles vários policiais e soldados indianos e ao menos 18 estrangeiros. O jornal indiano "Times of India" cita que 195 pessoas morreram.
Segundo informações divulgadas anteriormente, um britânico, americanos, israelenses --incluindo um rabino do templo judaico japoneses e paquistaneses foram contabilizados entre os estrangeiros mortos.
Cerca de 320 pessoas ficaram feridas. As forças de segurança do país não descartam que o número de vítimas aumente nas próximas horas, quando será realizada a contagem exata e a identificação de todos os mortos.
Nenhum brasileiro morreu nos atentados, considerados como o "11 de Setembro" da Índia. O consulado do Brasil em Mumbai informou que há cerca de 20 brasileiros vivendo na cidade, além aproximadamente outros 20 que a visitam com freqüência.
Grupo suspeito
O grupo criminoso Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) se responsabilizou pelos atentados. Segundo a revista "The Economist", os criminosos enviaram um e-mail em setembro para agências de notícias indianas ameaçando atacar a cidade.
De acordo com o "The Economist", a mensagem foi enviada para "avisar todas as pessoas de Mumbai sobre a possibilidade de acontecer ataques no futuro e que a responsabilidade ficaria com os policiais".
Para um especialista consultado pela Folha, o grupo não tinha justificativas para realizar o ataque. "O grupo que cometeu os ataques é indiano e não está vinculado a nenhum Estado. Os terroristas estimam que as minorias muçulmanas foram destratadas e sofreram muito na história da Índia e hoje buscam meios de vingar o que consideram injustiças", afirmou o cingalês Rohan Gunaratna, pesquisador do Centro para o Estudo de Terrorismo da Universidade de St. Andrews (Escócia).
| Arte/Folha Online |
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Ele descartou relação profunda do grupo com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden. "Até podem ter se inspirado na Al Qaeda, principalmente no modo operacional. Atacar alvos ocidentais icônicos para causar mortes em massa é marca registrada da Al Qaeda. Mas acho que o vínculo não vai além disso", afirmou.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, afirmou que os ataques terroristas em Mumbai têm participação de grupos estrangeiros. A declaração foi entendida como uma acusação ao governo Paquistão, já que os dois países vivem tensão histórica pela disputa da Caxemira.
Relações turbulentas
O premiê paquistanês, Yousef Raza Guilani, falou pelo telefone nesta sexta-feira com Singh para manifestar "forte condenação" em relação a ataques. Guilani ressaltou que o Paquistão "também é vítima do terrorismo" e lembrou que o premiê indiano foi a primeira autoridade a telefonar para ele após o atentado do hotel Marriott, que causou a morte de 54 pessoas em 20 de setembro passado.
O chanceler francês, Bernard Kouchner, veio a público ontem dizer não acreditar que o Paquistão esteja envolvido nos ataques a Mumbai. Em entrevista a uma rádio francesa, Kouchner afirmou que "é preciso ajudar e confiar no Paquistão", que "é, ao mesmo tempo, o elo frágil e o elo indispensável" com a região.
Tanto índia como Paquistão são ex-colônias britânicas. Em 1947, ambos conseguiram independência. Os ingleses repartiram a região de acordo com a religião das maiorias. Assim surgiu a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.
A disputa entre os dois países é pela região da Caxemira, causa de duas das três guerras (1948-1949, 1965 e 1971) já travadas entre Índia e Paquistão desde 1947 --ano em que se tornaram independentes do Reino Unido.
A Caxemira é uma região montanhosa ao norte dos dois países. Grande parte da população da região é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, que a Índia nega.
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