Não saio de casa desde quarta-feira, diz brasileiro que vive em Mumbai
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
Os atentados desta semana em Mumbai mudaram o comportamento do povo da cidade, capital financeira da Índia. Normalmente avessos a brigas, pessoas discutiam nas ruas e era perceptível na quarta-feira (26), logo após o início de uma onda de ataques terroristas coordenados na cidade, a irritação da população, forçada a conviver com a tensão e o medo. Medo que fez o estudante paulistano Gustavo Oliveira da Silva, 18, em intercâmbio na Índia, fechar-se na casa onde está hospedado.
Ele disse à reportagem da Folha Online que desde quarta-feira saiu apenas uma vez de casa para ir a um café com uma amiga brasileira, mas logo voltou. Segundo ele, os indianos estão irritados com a incerteza de não saber se "o carro parado perto da próxima esquina vai explodir".
| Arquivo Pessoal |
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| O paulistano Gustavo Oliveira da Silva, 18, morando em Mumbai |
Na quarta-feira, horas antes dos atentados, ele deixou o bairro onde vive, Vile Parle (perto do centro de Mumbai), para ir de trem a Churchland (na parte sul), encontrar com a família que o hospeda no país, para um jantar. Na volta do jantar, de carro com a família, Gustavo disse que as ruas estavam bloqueadas por policiais. "Foi quando fiquei sabendo que o [Café] Leopold, perto de onde estávamos jantando, tinha pegado fogo, porque havia explodido uma bomba", disse. Envie seu relato
O Leopold é um bar popular na região sul de Mumbai, onde caça-talentos buscam novos rostos para participarem de filmes de Bollywood --a indústria cinematográfica indiana. Gustavo também costumava freqüentar o local.
"Apesar do medo, eu consegui dormir pensando no que poderia acontecer no outro dia. A notícia já havia se espalhado pelo mundo inteiro e no dia seguinte eu percebi que os ocorridos eram mais alarmantes do que eu havia imaginado", disse.
Na quinta-feira (27), Gustavo soube que as aulas de ioga que freqüenta haviam sido suspensas; o instituto de ensino fica perto do aeroporto que também foi alvo de atentados nesta semana. A família que o hospeda, então, insistiu para que ele não saísse de casa. "Me disseram que as ruas estavam um perigo, todos os canais de TV estavam mostrando desastres, o fogo no hotel Taj Mahal. Com isso fiquei preso o dia inteiro em casa, não pude sair", disse.
"Minha mãe me liga com freqüência para saber da minha situação e me aconselha a voltar caso as coisas piorem", disse à reportagem. Ele disse que um amigo francês e uma amiga alemã, que fazem intercâmbio com ele no país, moram próximo do hotel Taj Mahal e que, desde quarta, não teve notícias deles. A família indiana que o hospeda também não teve ainda notícias de amigos que haviam ido jantar naquele dia no hotel Taj Mahal.
Gustavo trancou a matrícula no primeiro semestre do curso de comércio exterior da Universidade Mackenzie, em São Paulo, para um intercâmbio cultural de um ano na Índia. Mas, destacou, após o ocorrido, a vontade de voltar ficou "imensa". "Estou me segurando aqui para não voltar", disse.
Brasileiros
O Consulado do Brasil em Mumbai informou que há cerca de 20 brasileiros vivendo na cidade, além aproximadamente de outros 20, que vão com freqüência à cidade.
De acordo com os diplomatas, 22 pessoas ligaram para o consulado nesta quinta-feira (27), depois que o cônsul Paulo Antônio Pereira Pinto fez um pronunciamento em português na rede de notícias local CNN-IBN para informar o telefone do consulado para saber como estavam os brasileiros. Os funcionários consulares ligaram para outras 20 pessoas cadastradas. Não há registro de vítimas brasileiras nos ataques.
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