Mundo
30/11/2008 - 11h43

Polícia pressiona por fim de protestos na Tailândia; granada fere mais de 50

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da Folha Online

A polícia da Tailândia voltou a ordenar neste domingo que os manifestantes oposicionistas da APD (Aliança pela Democracia), que ocupam o aeroporto internacional Suvarnabhumi, em Bancoc (capital da Tailândia) desde terça-feira (25), se dispersem. Os policiais proibiram que se formem grupos de mais de cinco pessoas, sob pena de multa ou detenção a quem descumprir a determinação.

Entenda a crise na Tailândia
Veja imagens dos protestos

Horas antes da ordem policial, explosões ocorridas hoje nos locais ocupados pelos manifestantes deixaram 50 pessoas feridas. As explosões ocorreram no complexo de edifícios do governo, ocupado por manifestantes desde agosto, uma estação de TV de oposição ao governo e em uma estrada perto do aeroporto Don Muang, utilizado principalmente para vôos domésticos. Ao menos quatro dos feridos estão em estado grave, segundo a agência de notícias Associated Press.

Arte/Folha Online

O porta-voz dos manifestantes Suriyasai Katasiya atribuiu a responsabilidade pelas explosões ao governo. As manifestações pelo país já ocorrem há mais de três meses, pressionando para que o primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, renuncie. Ele, por sua vez, afirma ter sido democraticamente eleito e nega que vá renunciar.

O comunicado da polícia determinando a dispersão dos grupos de protesto não especifica, no entanto, quais medidas serão implementadas para fazer cumprir as ordens. O Exército tem se recusado a ajudar, e chegou a sugerir a Wongsawat que o Parlamento fosse destituído e que se convocasse novas eleições --acrescentando, no entanto, que estivesse apoiando um golpe de Estado.

O ex-governador de Bancoc e general na reserva, Chamlong Srimuang --um dos chefes da APD-- disse hoje que continuarão nos dois aeroportos de Bancoc. Ele afirmou que a vitória sobre o governo de Wongsawat está próxima.

Ontem, manifestantes atacaram um posto policial situado nas proximidades do aeroporto internacional, forçando as forças policiais a desistirem de evitar a chegada de mais pessoas ao local. Os confrontos começaram após milhares de policiais tailandeses terem formado um grande cordão de isolamento no aeroporto. Os policiais tinham ordenado que os manifestantes se retirassem do local.

Apoio ao governo

Os manifestantes acusam Wongsawat de ser leal ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, foragido da justiça do país sob acusações de corrupção e abuso de poder. Shinawatra foi deposto em 2006 por um golpe de Estado e hoje vive no exílio.

Wongsawat, no entanto, ainda conta com forte apoio entre a população pobre tanto em áreas urbanas como rurais. Cerca de 4.000 partidários do governo se reuniram neste domingo para prevenir um eventual golpe de Estado na Tailândia. Vestidos de vermelho, eles se reuniram a poucos quilômetros de seus adversários, que ocupam há mais de três meses os escritórios do primeiro-ministro.

"Estamos reunidos aqui hoje para proteger o sistema democrático e para dizer que não queremos um golpe de Estado", declarou um líder pró-governo, Jatuporn Prompan. "O grupo vai ficar aqui até o dia 4 de dezembro."

A grave crise política que abala a Tailândia há vários meses descambou para a violência nas últimas semanas, depois de uma série de enfrentamentos que deixaram seis mortos e centenas de feridos desde o fim de agosto.

Passageiros

Cerca de 100 mil passageiros estão bloqueados em Bancoc, aguardando a reabertura dos dois aeroportos. Muitos governos estrangeiros desaconselharam seus cidadãos a viajarem à Tailândia, onde ainda é possível pousar em Chiang Mai e Phuket (sul). Companhias aéreas estão fretando vôos especiais para as operações de evacuação.

A companhia aérea tailandesa Thai Airways International anunciou hoje que tem previstos para hoje 31 vôos para os viajantes que desejem sair ou entrar na Tailândia. Em comunicado, a principal companhia aérea tailandesa informou que 18 aviões decolarão ao longo do dia da base militar de U-Tapao em direção a diferentes destinos internacionais, enquanto outros 13 aterrissarão vindos de outros países.

A Embaixada dos Estados Unidos em Bancoc solicitou ao governo da Tailândia compensações para os cidadãos norte-americanos que não puderam embarcar nos vôos previstos. Os manifestantes da APD (Aliança pela Democracia) se negam a permitir a saída de 88 aviões que aguardam para decolar.

O diretor do aeroporto de Suvarnabhumi, Serirat Prasutanont, disse estar negociando com os manifestantes para permitir a retomada das operações. "Estamos implorando a eles para deixarem os aviões vazios decolarem, mas sem sucesso", disse.

Prejuízos

A Federação das Indústrias da Tailândia estima que a paralisação nos aeroportos esteja custando ao país entre US$ 57 milhões e US$ 85 milhões por dia. Alguns representantes da indústria têm sugerido que se deixe de pagar impostos em protesto pela inação do governo.

"A situação tem ido de mal a pior, sinalizando que [o governo] é incompetente para garantir paz e ordem", informou a Câmara de Comércio da Tailândia em um comunicado divulgado ontem.

Também é aguardada a conclusão de um processo na Corte Constitucional do país sobre fraude eleitoral, envolvendo a coalizão de governo, incluindo o Partido do Poder do Povo, de Wongsawat. Se for determinado que houve fraude, os três partidos serão dissolvidos e seus membros, incluindo o primeiro-ministro, serão banidos da política por cinco anos.

 

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