Terrorismo provoca dança das cadeiras no governo indiano
da Folha Online
Os ataques terroristas que atingiram diversos pontos de Mumbai e se prolongaram até este sábado (29), matando 195 pessoas, causaram uma dança das cadeiras no governo indiano, neste domingo. O ministro do Interior, Shivraj Patil, pediu demissão para o primeiro-ministro, Manmohan Singh, que pôs o ministro de Finanças, Palaniappan Chidambaram, no lugar de Patil e ele mesmo no lugar de Chidambaram.
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Todas as mudanças e a pressão sobre o governo indiano para investigar os ataques também deram origem a um boato de que o conselheiro de Segurança Nacional, M.K. Narayanan, era mais um a renunciar, o que foi negado, de acordo com a agência de notícias PTI. O boato foi noticiado pela TV local NDTV e a agência Ians.
| Saurabh Das/AP |
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Neste domingo, Singh convocou uma reunião com os líderes dos principais partidos indianos para analisar a situação do país após os atentados a Mumbai.
O líder do Partido Bharatiya Janata (BJP, Partido do Povo Indiano), Lal Krishna Advani, não participou da reunião, segundo a NDTV, porque a legenda considerou insuficiente a renúncia de Patil e pediu a substituição total do governo.
Chidambaram, o novo ministro de Interior indiano, é um advogado formado na Universidade Harvard e um dos rostos de maior destaque da atual gestão. Aos 63 anos, ele já foi ministro de Segurança Interna na década de 80, sob o primeiro-ministro Rajiv Gandhi. Singh, o atual primeiro-ministro, já foi ministro de Finanças (1991-1996) e presidente do banco central.
Para analistas, como primeiro-ministro, Singh é honesto, porém fraco, e a expectativa é a de que a permanência dele em Finanças seja temporária. Desde o início da crise econômica, ele colocou um ex-ministro de Finanças, Duvvuri Subbarao, na chefia do banco central e levou o ex-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional) Raghuram Rajan para ser seu conselheiro.
Singh nasceu em uma família pobre da Índia que era controlada pelo Reino Unido e que, agora, pertence ao Paquistão. Por meio de bolsas, ele conseguiu estudar nas prestigiadas Cambridge e Oxford, obtendo doutorado com uma tese sobre o papel das exportações e do livre-comércio na economia indiana.
Em sua carta de demissão, Patil ter a "responsabilidade moral" de renunciar para mostrar que os ataques contra Mumbai foram "horrendos" e que o governo "os levou muito a sério".
Terror
Os ataques a tiros e granadas ocorreram na noite de quarta-feira e atingiram vários pontos de regiões nobres de Mumbai --centro financeiro da Índia--, principalmente aqueles que são muito movimentados e populares entre ocidentais. Em três alvos --os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e o centro judaico Chabad Lubavitch --, os terroristas mantiveram centenas de pessoas reféns.
Nos hotéis, o resgate dos reféns terminou apenas na sexta-feira (28). No Taj Mahal, o conflito entre as forças de segurança indianas e os terroristas só acabou sábado (29), quando os três últimos criminosos foram mortos. Os agentes de segurança ainda realizam buscas nos hotéis atrás de corpos, armas e pistas deixadas pelos terroristas.
No centro judaico, o cerco também acabou na sexta-feira, porém todos os reféns morreram. Segundo Israel, nove cidadãos morreram, ao todo, nos atentados. Entre eles estão o rabino americano Gavriel Holtzberg, 29, e a mulher dele, Rivka, 28, que deixaram um bebê.
No total, ao menos 195 pessoas morreram e cerca de 300 ficaram feridas.
Investigações
Conforme o jornal indiano "Times of India", apenas um homem foi preso suspeito de participar dos atentados. Trata-se do paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, que deve ficar preso ao menos até o próximo dia 11 de dezembro.
Investigações preliminares da polícia indicam que Kasab chegou a Mumbai com ao menos outros dez comparsas de barco. Na seqüência, eles se dividiram e, com aproximadamente 6.200 rúpias indianas cada um (menos de R$ 300), foram de táxi aos pontos que deveriam atacar. Kasab foi preso na própria quarta-feira, ao lado de um homem que foi identificado como Ismail Khan e que morreu baleado em confronto com policiais.
Kasab deverá ser acusado de ter matado três altos oficiais da instituição assassinados nos atentados: Hemant Karkare, o chefe do esquadrão antiterrorismo, Vijay Salaskar, consultor de segurança, e o comissário de polícia Ashok Kamte.
Paquistão
Desde os atentados, diversas autoridades indianas foram a público afirmar que os terroristas eram estrangeiros e que acreditam trata-se de paquistaneses. O Paquistão nega a ligação de cidadãos com o caso e já ofereceu ajuda nas investigações. Há ainda boatos de que parte dos terroristas mortos fossem britânicos, o que também é investigado.
Logo depois dos ataques, um desconhecido grupo islâmico chamado Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) enviou e-mails à imprensa local assumindo a autoria dos atentados. Para especialistas, porém, o nome é uma fachada.
Com agências internacionais
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