Mundo
30/11/2008 - 16h10

Índia expande força antiterrorista após ataques que mataram 195

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da Folha Online
da Efe, em Nova Déli

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, anunciou neste domingo a ampliação da principal força antiterrorista daquele país e a criação futura da Agência Federal de Investigação para coordenar a luta contra o terror. As medidas são uma reação aos ataques terroristas ocorridos em Mumbai entre quarta-feira (26) e sexta-feira (28) que mataram 195 pessoas e feriram cerca de 300.

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Singh expôs as medidas no início de uma reunião com líderes das forças políticas do país, aos quais pediu unidade perante a "ameaça nacional" do terrorismo.

Saurabh Das/AP
Mulher chora durante cortejo fúnebre de policial morto; atentados terroristas estão sendo chamados de "11 de Setembro indiano"
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O anúncio de Singh ocorre após fortes críticas de partidos políticos e meios de comunicação pela demora no envio a Mumbai dos membros da Guarda Nacional de Segurança indiana, os principais responsáveis pelo combate aos terroristas que atacaram e mantiveram reféns nos hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e no centro judaico Chabad Lubavitch.

Conforme Singh, a Guarda que, atualmente, tem sede em Nova Déli, terá novos quartéis em outros quatro pontos do país, além de mais soldados. O primeiro-ministro anunciou ainda um reforço na segurança aérea e marítima indiana e a proposição de medidas legislativas para a criação da agência de investigação.

Diferentes partidos reivindicavam a criação da agência havia alguns meses.

Mustafa Quraishi/AP
O primeiro-ministro, Manmohan Singh, em reunião sobre terror com líderes partidários
O primeiro-ministro, Manmohan Singh, em reunião sobre terror com líderes partidários

Também neste domingo, em entrevista a jornalistas, o diretor-geral da Guarda, J.K. Dutt, defendeu a atuação de seus homens na operação. Ele concordou que a operação no Taj foi muito longa, mas explicou que isso foi necessário para evitar "perda de vidas inocentes" dos hóspedes e funcionários do hotel.

Dutt voltou a afirmar que os terroristas estavam "muito familiarizados" com a planta daquele hotel. "Nossa operação pretendia mantê-los na linha, evitar que se deslocassem nos quartos ocupados por hóspedes, e por isso levou algum tempo." O Taj ficou dominado por terroristas entre a quarta-feira a o sábado, quando os últimos três foram mortos.

Terror

Os ataques a tiros e granadas ocorreram na noite de quarta-feira e atingiram vários pontos de regiões nobres de Mumbai --centro financeiro da Índia--, principalmente aqueles que são muito movimentados e populares entre ocidentais. Em três alvos --os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e o centro judaico Chabad Lubavitch --, os terroristas mantiveram centenas de pessoas reféns.

Nos hotéis, o resgate dos reféns terminou apenas na sexta-feira (28). No Taj Mahal, o conflito entre as forças de segurança indianas e os terroristas só acabou sábado (29), quando os três últimos criminosos foram mortos. Os agentes de segurança ainda realizam buscas nos hotéis atrás de corpos, armas e pistas deixadas pelos terroristas.

No centro judaico, o cerco também acabou na sexta-feira, porém todos os reféns morreram. Segundo Israel, nove cidadãos morreram, ao todo, nos atentados. Entre eles estão o rabino americano Gavriel Holtzberg, 29, e a mulher dele, Rivka, 28, que deixaram um bebê.

Investigações

Conforme o jornal indiano "Times of India", apenas um homem foi preso suspeito de participar dos atentados. Trata-se do paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, que deve ficar preso ao menos até o próximo dia 11 de dezembro.

Investigações preliminares da polícia indicam que Kasab chegou a Mumbai com ao menos outros dez comparsas de barco. Na seqüência, eles se dividiram e, com aproximadamente 6.200 rúpias indianas cada um (menos de R$ 300), foram de táxi aos pontos que deveriam atacar. Kasab foi preso na própria quarta-feira, ao lado de um homem que foi identificado como Ismail Khan e que morreu baleado em confronto com policiais.

Kasab deverá ser acusado de ter matado três altos oficiais da instituição assassinados nos atentados: Hemant Karkare, o chefe do esquadrão antiterrorismo, Vijay Salaskar, consultor de segurança, e o comissário de polícia Ashok Kamte.

Dança das cadeiras

Os ataques terroristas causaram uma dança das cadeiras no governo. O ministro do Interior, Shivraj Patil, pediu demissão que pôs o ministro de Finanças, Palaniappan Chidambaram, no lugar de Patil e ele mesmo no lugar de Chidambaram. Em sua carta de demissão, Patil ter a "responsabilidade moral" de renunciar para mostrar que os ataques foram "horrendos" e que o governo "os levou muito a sério".

Todas as mudanças e a pressão sobre o governo indiano para investigar os ataques também deram origem a um boato de que o conselheiro de Segurança Nacional, M.K. Narayanan, era mais um a renunciar, o que foi negado, de acordo com a agência de notícias PTI. O boato foi noticiado pela TV local NDTV e a agência Ians.

Paquistão

Desde os atentados, diversas autoridades indianas foram a público afirmar que os terroristas eram estrangeiros e que acreditam trata-se de paquistaneses. O Paquistão nega a ligação de cidadãos com o caso e já ofereceu ajuda nas investigações. Há ainda boatos de que parte dos terroristas mortos fossem britânicos, o que também é investigado.

Logo depois dos ataques, um desconhecido grupo islâmico chamado Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) enviou e-mails à imprensa local assumindo a autoria dos atentados. Para especialistas, porém, o nome é uma fachada.

Com agências internacionais

 

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