Mundo
01/12/2008 - 07h57

Investigadores dizem que terroristas de Mumbai foram treinados no Paquistão

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da Folha Online

Os investigadores indianos disseram nesta segunda-feira que os cerca de dez terroristas que realizaram uma série de ataques em Mumbai na quarta-feira (26) treinaram por meses no Paquistão, afirmação que amplia a já tensa relação entre os dois países.

Segundo dois investigadores indianos, a evidência do interrogatório do paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, o único preso suspeito de envolvimento nos atentados, mostrou claramente o envolvimento dos militantes paquistaneses nos ataques que deixaram 172 mortos e cerca de 300 feridos. Ele continuará preso até o próximo dia 11 de dezembro.

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Arko Datta/Reuters
Investigadores inspecionam os restos do centro judaico Chabad, um dos locais atacados por terroristas
Investigadores inspecionam as ruínas do centro judaico Chabad, em Mumbai, Índia

Os ataques começaram na noite de quarta-feira. Terroristas atacaram diversos pontos de regiões nobres da cidade indiana de Mumbai, centro financeiro daquele país, com tiros e granadas. Foram atingidos pontos populares entre ocidentais, como os hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident e o famoso Café Leopold, freqüentado por turistas e por profissionais de Bollywood, como é chamada a indústria cinematográfica indiana.

Nos hotéis e no centro judaico Chabad Lubavitch foram mantidos reféns. Os últimos reféns foram libertados na sexta-feira (28). Os últimos terroristas, porém, --três que resistiam no hotel Taj-- foram mortos neste sábado.

Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.

Kasab, 21, foi fotografado durante o ataque com uma camiseta preta com o logo da marca de luxo Versace. Ele disse que o grupo de cerca de dez terroristas islâmicos recebia ordens de "seu comando no Paquistão".

O treinamento era organizado pelos insurgentes do grupo Lashkar-e-Taiba e conduzidos por um ex-membro do Exército paquistanês, afirmou o policial à agência de notícias Reuters, em condição de anonimato.

"Eles passaram por várias fases de treinamento, que incluíam como mexer com armas, fazer bombas, estratégias de sobrevivência e sobrevivência em ambiente marítimo", disse outro policial envolvido na investigação.

O grupo Lashkar-e-Taiba tem base no Paquistão e ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países. O grupo também foi responsabilizado por um ataque ao parlamento indiano, em 2001, que quase levou os dois países à guerra.

Lashkar tinha ligação com agências de espionagem paquistanesas, dizem especialistas no tema, embora o governo de Islamabad afirme que combata este e outros grupos radicais islâmicos em seu território.

Acusações

O primeiro-ministro indiano já havia indicado, na quinta-feira (27), a suspeita que os terroristas tinham ligação com grupos estrangeiros --declaração que foi entendida como acusação aos paquistaneses.

David Guttenfelder/AP
Indianos acendem velas em cerimônia de homenagem às vítimas dos ataques terroristas
Indianos acendem velas em cerimônia de homenagem às vítimas dos ataques terroristas

Manmohan Singh não acusou diretamente o governo de Islamabad, mas chegou a dizer que iria adotar "quaisquer medidas necessárias" para localizar os terroristas e que a Índia não iria tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.

O Paquistão foi um dos primeiros a expressar suas condolências pelo ataques, rebateu as críticas e disse que a Índia ainda não havia apresentado provas da suspeita de envolvimento de paquistaneses no caso. O governo ofereceu apoio incondicional ao governo da Índia nas investigações.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, citado pleo jornal "Financial Times", apelou à Índia que não acuse o país pelos ataques e disse que acusações formais podem precipitar uma guerra. "Mesmo que os militantes sejam da Lashkar-e-Taiba, quem vocês pensam que nós estamos combatendo?", disse.

Para amenizar a tensão entre os dois países, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, deve visitar a Índia na quarta-feira (3) para destacar a seriedade com que Washington viu os ataques e sua ameaça potencial à estabilidade regional.

"Eu não quero apressar conclusões, mas acredito que é hora de uma transparência completa, absoluta e total e cooperação e isso é o que esperamos do Paquistão", disse Rice aos repórteres, em viagem a Londres.

 

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