Investigadores dizem que terroristas de Mumbai foram treinados no Paquistão
da Folha Online
Os investigadores indianos disseram nesta segunda-feira que os cerca de dez terroristas que realizaram uma série de ataques em Mumbai na quarta-feira (26) treinaram por meses no Paquistão, afirmação que amplia a já tensa relação entre os dois países.
Segundo dois investigadores indianos, a evidência do interrogatório do paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, o único preso suspeito de envolvimento nos atentados, mostrou claramente o envolvimento dos militantes paquistaneses nos ataques que deixaram 172 mortos e cerca de 300 feridos. Ele continuará preso até o próximo dia 11 de dezembro.
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| Arko Datta/Reuters |
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| Investigadores inspecionam as ruínas do centro judaico Chabad, em Mumbai, Índia |
Os ataques começaram na noite de quarta-feira. Terroristas atacaram diversos pontos de regiões nobres da cidade indiana de Mumbai, centro financeiro daquele país, com tiros e granadas. Foram atingidos pontos populares entre ocidentais, como os hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident e o famoso Café Leopold, freqüentado por turistas e por profissionais de Bollywood, como é chamada a indústria cinematográfica indiana.
Nos hotéis e no centro judaico Chabad Lubavitch foram mantidos reféns. Os últimos reféns foram libertados na sexta-feira (28). Os últimos terroristas, porém, --três que resistiam no hotel Taj-- foram mortos neste sábado.
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
Kasab, 21, foi fotografado durante o ataque com uma camiseta preta com o logo da marca de luxo Versace. Ele disse que o grupo de cerca de dez terroristas islâmicos recebia ordens de "seu comando no Paquistão".
O treinamento era organizado pelos insurgentes do grupo Lashkar-e-Taiba e conduzidos por um ex-membro do Exército paquistanês, afirmou o policial à agência de notícias Reuters, em condição de anonimato.
"Eles passaram por várias fases de treinamento, que incluíam como mexer com armas, fazer bombas, estratégias de sobrevivência e sobrevivência em ambiente marítimo", disse outro policial envolvido na investigação.
O grupo Lashkar-e-Taiba tem base no Paquistão e ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países. O grupo também foi responsabilizado por um ataque ao parlamento indiano, em 2001, que quase levou os dois países à guerra.
Lashkar tinha ligação com agências de espionagem paquistanesas, dizem especialistas no tema, embora o governo de Islamabad afirme que combata este e outros grupos radicais islâmicos em seu território.
Acusações
O primeiro-ministro indiano já havia indicado, na quinta-feira (27), a suspeita que os terroristas tinham ligação com grupos estrangeiros --declaração que foi entendida como acusação aos paquistaneses.
| David Guttenfelder/AP |
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| Indianos acendem velas em cerimônia de homenagem às vítimas dos ataques terroristas |
Manmohan Singh não acusou diretamente o governo de Islamabad, mas chegou a dizer que iria adotar "quaisquer medidas necessárias" para localizar os terroristas e que a Índia não iria tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.
O Paquistão foi um dos primeiros a expressar suas condolências pelo ataques, rebateu as críticas e disse que a Índia ainda não havia apresentado provas da suspeita de envolvimento de paquistaneses no caso. O governo ofereceu apoio incondicional ao governo da Índia nas investigações.
O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, citado pleo jornal "Financial Times", apelou à Índia que não acuse o país pelos ataques e disse que acusações formais podem precipitar uma guerra. "Mesmo que os militantes sejam da Lashkar-e-Taiba, quem vocês pensam que nós estamos combatendo?", disse.
Para amenizar a tensão entre os dois países, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, deve visitar a Índia na quarta-feira (3) para destacar a seriedade com que Washington viu os ataques e sua ameaça potencial à estabilidade regional.
"Eu não quero apressar conclusões, mas acredito que é hora de uma transparência completa, absoluta e total e cooperação e isso é o que esperamos do Paquistão", disse Rice aos repórteres, em viagem a Londres.
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