Manifestantes ampliam protestos no 5º dia de ocupação dos aeroportos de Bancoc
da Folha Online
Grupos de manifestantes contrários ao primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, deixaram a sede do governo, que ocupavam há três meses, para se reunir aos milhares de manifestantes que bloqueiam os aeroportos de Bancoc há cinco dias.
Em uma mudança de táticas, os manifestantes da Aliança do Povo para a Democracia (APD), que pedem a renúncia do primeiro-ministro, reforçaram os protestos nos dois aeroportos da capital tailandesa nesta segunda-feira em ato que interrompeu todos os vôos e prejudicou mais de 300 mil turistas que não têm como deixar a cidade.
| Vincent Thian/AP |
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| Maifestantes contrários ao primeiro-ministro tailandês ampliam protestos nos aeroportos |
"Devemos ir aos aeroportos para apoiar nossos aliados lá", disse o líder da APD, Chamlong Srimuang, aos manifestantes que ocupam a sede do governo desde 26 de agosto.
Ele afirmou aos manifestantes que deveriam sair da sede do governo porque já não é mais seguro manter os protestos no local, que foi atacado diversas vezes por granadas lançadas por grupos não identificados.
A APD argumenta que Wongsawat é um aliado do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, foragido da justiça do país sob acusações de corrupção e abuso de poder. Segundo a APD, formada principalmente por pessoas da classe média, o sistema eleitoral do país é suscetível à venda de votos da maioria rural, que está sob a influência de Thaksin. Eles propõem substituir o Parlamento elegível por um que seja, em sua maioria, indicado, uma medida que os críticos dizem ser para manter o poder na mão da elite urbana.
O reforço nos protestos é uma medida dos líderes da APD para ganhar mais visibilidade e aumentar a pressão sob o primeiro-ministro, que afirmou, na semana passada, que não cogita renunciar já que foi eleito de maneira democrática.
A paralisação dos aeroportos de Bancoc atraíram a atenção mundial à crise política na Tailândia, que dura ao menos seis meses. Cerca de 300 mil turistas de várias nacionalidades tiveram seus vôos cancelados diante do fechamento dos aeroportos e não têm como deixar a cidade.
A perda dos vôos internacionais para Bancoc forçaram ainda milhares de turistas a cancelarem ou adiarem suas viagens de final de ano, uma época de grande aumento no turismo. A paralisação dos aeroportos prejudicou também a chegada de mercadorias internacionais à capital, desde remédios ao peixe cru usado nos restaurantes japoneses.
A crise política é agravada pela falta de apoio do Exército ao primeiro-ministro. O comandante Anupong Paochinda chegou a pedir publicamente a renúncia de Somchat, a dissolução do Parlamento e novas eleições como única solução à crise.
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