Mais duas autoridades indianas renunciam após ataques a Mumbai
da Folha Online
Os ataques terroristas que atingiram diversos pontos de Mumbai na semana passada causaram saída de nomes importantes da política indiana. Depois do pedido de demissão do ministro do Interior, Shivraj Patil, o ministro-chefe do Estado de Maharashtra, Vilasrao Deshmukh, e seu vice, R.R. Patil, ofereceram a renúncia.
"Eu ofereci para renunciar", disse Deshmukh aos repórteres, acrescentando que aguarda a decisão dos líderes do seu partido --Partido do Congresso-- para tomar uma decisão final. A saída de Deshmukh e Patil é mais um sinal do enfraquecimento político causado pelos atentados terroristas --que se estenderam até sábado (29) e deixaram 172 mortos-- diante das eleições marcadas para maio de 2009.
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| Efe |
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| Homem coloca flores durante cerimônia em homenagem às vítimas dos ataques de Mumbai |
Os ataques começaram na noite de quarta-feira. Terroristas de um grupo islâmico desconhecido chamado Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) atacaram diversos pontos de regiões nobres da cidade indiana de Mumbai, centro financeiro da Índia, com tiros e granadas. Foram atingidos pontos populares entre ocidentais, como os hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident e o famoso Café Leopold, freqüentado por turistas e por profissionais de Bollywood, como é chamada a indústria cinematográfica indiana.
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
Deshmukh, ministro-chefe do Estado cuja capital é Mumbai, explicou que assume a "responsabilidade moral" pelos ataques terroristas e por isso oferece sua demissão. Ele disse ainda que já aceitou a renúncia de seu vice, Patil, que também disse se sentir responsável pelos ataques. "Escutei minha consciência e decidi apresentar os papéis da demissão", disse Patil. "Decidi voltar ao meu povoado natal", completou o vice-ministro, que é da localidade de Sangli.
Patil foi criticado por ter dito no sábado (29), se referindo aos ataques, que "pequenos acontecimentos acontecem nas cidades grandes".
Investigação
As demissões no governo regional indiano acontecem em meio às investigações sobre a possível ligação entre os terroristas e grupos do Paquistão --acusações que prejudicam a já delicada relação entre os dois países.
Nesta segunda-feira, os investigadores indianos disseram que os cerca de dez terroristas que realizaram a série de ataques em Mumbai treinaram por meses no Paquistão. A afirmação foi feita com base no interrogatório do único suspeito preso após os ataques.
Segundo dois investigadores indianos, o paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab mostrou claramente no interrogatório o envolvimento dos militantes paquistaneses nos ataques. Ele continuará preso até o próximo dia 11 de dezembro. "Eles passaram por várias fases de treinamento, que incluíam como mexer com armas, fazer bombas, estratégias de sobrevivência e sobrevivência em ambiente marítimo", disse um policial envolvido na investigação.
O treinamento era organizado pelos insurgentes do grupo Lashkar-e-Taiba e conduzidos por um ex-membro do Exército paquistanês, afirmou o policial à agência de notícias Reuters, em condição de anonimato.
O grupo Lashkar-e-Taiba tem base no Paquistão e ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países. O grupo também foi responsabilizado por um ataque ao parlamento indiano, em 2001, que quase levou os dois países à guerra. Lashkar tinha ligação com agências de espionagem paquistanesas, dizem especialistas no tema, embora o governo de Islamabad afirme que combata este e outros grupos radicais islâmicos em seu território.
Com Reuters e Efe
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