Mundo
01/12/2008 - 11h53

Conselho Muçulmano quer proibir enterro de terroristas na Índia

Publicidade

da Folha Online

O Conselho Muçulmano da Índia decidiu, neste domingo, que não irá autorizar que os corpos dos nove terroristas mortos nos atentados realizados entre quarta-feira (26) e sexta-feira (28) na cidade de Mumbai sejam enterrados no território indiano. O grupo que assumiu a autoria dos ataques --o desconhecido Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia)-- seria islâmico. No total, os ataques mataram 172 pessoas.

De acordo com o jornal indiano "Times of India", o congressista Bhai Jagtap afirmou que há organizações muçulmanas pedindo que o governo apóie a proibição. "Eu vou encaminhar a mensagem ao governo estadual."

Os ataques a tiros e granadas ocorreram na noite de quarta-feira e atingiram vários pontos de regiões nobres de Mumbai --centro financeiro da Índia--, principalmente aqueles que são muito movimentados e populares entre ocidentais. Em três alvos --os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e o centro judaico Chabad Lubavitch --, os terroristas também mantiveram centenas de pessoas reféns.

Nos hotéis, o resgate dos reféns terminou apenas na sexta-feira (28). No Taj Mahal, o conflito entre as forças de segurança indianas e os terroristas só acabou sábado (29), quando os três últimos criminosos foram mortos.

No centro judaico, o cerco também acabou na sexta-feira, porém todos os reféns morreram. Segundo Israel, nove cidadãos morreram, ao todo, nos atentados. Entre eles estão o rabino americano Gavriel Holtzberg, 29, e a mulher dele, Rivka, 28, que deixaram um bebê.

Investigações

Conforme o "Times of India", só um homem foi preso suspeito de participar da ação. Trata-se do paquistanês Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, que deve ficar detido pelo menos até o próximo dia 11 de dezembro.

Investigações preliminares da polícia indicam que Kasab chegou a Mumbai com ao menos outros dez comparsas de barco. Na seqüência, eles se dividiram e, com aproximadamente 6.200 rúpias indianas cada um (menos de R$ 300), foram de táxi aos pontos que deveriam atacar. Kasab foi preso na própria quarta-feira, ao lado de um homem que foi identificado como Ismail Khan e que morreu baleado em confronto com policiais.

Kasab deverá ser acusado de ter matado três altos oficiais da instituição assassinados nos atentados: Hemant Karkare, o chefe do esquadrão antiterrorismo, Vijay Salaskar, consultor de segurança, e o comissário de polícia Ashok Kamte

Paquistão

Desde os atentados, diversas autoridades indianas foram a público afirmar que os terroristas eram estrangeiros e que acreditam trata-se de paquistaneses. Nesta segunda-feira, a polícia afirmou crer que os terroristas tenham sido treinados no Paquistão, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que o país coopere com a Índia nas investigações.

O Paquistão nega a ligação de seus cidadãos com o caso e já ofereceu ajuda nas investigações.

Dança das cadeiras

Os ataques terroristas causaram uma dança das cadeiras no governo. Três autoridades já renunciaram aos seus cargos.

No domingo (30), o ministro do Interior, Shivraj Patil, pediu demissão. O ministro de Finanças, Palaniappan Chidambaram, entrou no lugar de Patil, e o primeiro-ministro, Manmohan Singh, passou a acumular a pasta econômica. Nesta segunda-feira, o ministro-chefe do Estado de Maharashtra, Vilasrao Deshmukh, e o vice dele, R.R. Patil, também ofereceram a renúncia.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca