Cônsul brasileiro diz que estrangeiros são alvo e pede adiamento de viagens a Mumbai
IAGO BOLÍVAR
colaboração para a Folha Online
O Consulado do Brasil em Mumbai orienta brasileiros com passagem marcada para a região a esperarem até que fique mais claro se o risco de novos ataques diminuiu. O cônsul-geral, Paulo Antônio Pereira Pinto, disse que a advertência sobre a possibilidade de atentados sempre foi feita, mas que o ataque direto a ocidentais, na semana passada, tornou a cidade mais perigosa para os visitantes. No ataque, 172 pessoas morreram.
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"A situação mudou de patamar", disse o diplomata. "Até semana passada nós éramos mais espectadores, e podia haver algum dano colateral. Agora, os estrangeiros podem ser os alvos." Vivem em Mumbai 22 brasileiros com registro no consulado, e cerca de outros 20 viajam com freqüência à cidade, que é o centro financeiro e comercial da Índia.
Em setembro foram gravadas na cidade algumas cenas da próxima novela das oito, da TV Globo, "Caminho das Índias", e parte da equipe ficou hospedada no hotel Taj Mahal, um dos locais atacados na semana passada.
Medidas de segurança
Está marcada para esta terça-feira, em um hotel, uma reunião de autoridades de segurança de Mumbai com representantes dos consulados instalados na cidade. Há dois meses, os diplomatas que servem na cidade tiveram uma reunião com policiais em que foram advertidos sobre possíveis ataques terroristas, e receberam a orientação de aumentar a segurança interna das sedes das representações.
O Consulado Geral do Brasil, que já tinha à época dois seguranças armados com metralhadoras na entrada, manteve a mesma estrutura. Mesmo depois dos atentados, o cônsul diz que não cogita novas medidas. "Nós estamos no mesmo prédio de uma unidade do Banco Central da Índia. As autoridades precisam aumentar a segurança externa", diz o cônsul. "Não temos como impedir um atentado"
Na reunião com as autoridades, o cônsul disse que pretende sugerir a criação de uma central de informações sobre as vítimas, no caso de novos atentados. Em meio aos ataques da semana passada, ele teve de recorrer a uma rede de notícias local para fazer um pronunciamento em português para tentar localizar brasileiros que pudessem ter sido afetados pelas ações dos terroristas.
O cônsul diz que qualquer medida de segurança é complicada em Mumbai, porque o serviço de entrega de refeições nos escritórios é constante. Também nas casas, a toda hora aparecem vendedores ambulantes de frutas e outros alimentos. O governo desestimula a instalação de supermercados no país para evitar o desemprego dos ambulantes e pequenas mercearias.
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
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