Índia acusou Paquistão em momento de raiva, diz primeiro-ministro paquistanês
colaboração para a Folha Online
O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse esperar que os vizinhos indianos revejam as acusações feitas nos últimos dias contra os paquistaneses quanto aos atentados terroristas realizados na cidade indiana de Mumbai entre quarta-feira (26) e sexta-feira (28), conforme informações da rede de TV americana CNN. "Agora que a poeira baixou, espero que eles [os indianos] possam pensar do que disseram", disse o primeiro-ministro, para quem as acusações foram feitas em "um momento de raiva".
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Desde os atentados, diversas autoridades indianas foram a público afirmar que os terroristas eram estrangeiros e que acreditam trata-se de paquistaneses. De acordo com o jornal "Times of India", o único suspeito preso foi identificado pela Índia como paquistanês; e investigadores indianos afirmaram, nesta segunda-feira, que os terroristas foram treinados no Paquistão.
Conforme as autoridades paquistaneses, ainda não foi comunicada a existência de nenhum indício de participação de militantes daquele país nos atentados. Também nesta segunda, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, informou que irá à Índia nesta semana e pediu que o Paquistão, aliado dos Estados Unidos, coopere com as investigações.
"É extremamente importante que tenha grandes níveis de cooperação entre o Paquistão e a Índia neste momento, o que significa uma união de todas as instituições [em uma alusão aos aliados dos países]", afirmou Rice ontem.
Investigações preliminares da polícia indicam que o suspeito preso chegou a Mumbai com ao menos outros dez comparsas de barco. Na seqüência, eles se dividiram e, com 6.200 rúpias indianas cada um (menos de R$ 300), foram de táxi aos pontos que deveriam atacar. Esse suspeito foi preso na própria quarta-feira, ao lado de um homem que foi identificado como Ismail Khan e que morreu baleado em confronto com policiais.
O suspeito deverá ser acusado pela polícia indiana de ter matado três altos oficiais durante os atentados: Hemant Karkare, chefe do esquadrão antiterrorismo, Vijay Salaskar, consultor de segurança, e Ashok Kamte, comissário de polícia.
O grupo Mujahedin de Deccan assumiu a autoria dos ataques logo após a tragédia.
Tragédia
Os ataques a tiros e granadas ocorreram na noite de quarta-feira e atingiram vários pontos de regiões nobres de Mumbai --centro financeiro da Índia--, principalmente aqueles que são muito movimentados e populares entre ocidentais. Em três alvos --os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e o centro judaico Chabad Lubavitch --, os terroristas também mantiveram centenas de pessoas reféns.
Nos hotéis, o resgate dos reféns terminou apenas na sexta-feira (28). No Taj Mahal, o conflito entre as forças de segurança indianas e os terroristas só acabou sábado (29), quando os três últimos criminosos foram mortos.
No centro judaico, o cerco também acabou na sexta-feira, porém todos os reféns morreram. Segundo Israel, nove cidadãos morreram, ao todo, nos atentados. Entre eles estão o rabino americano Gavriel Holtzberg, 29, e a mulher dele, Rivka, 28, que deixaram um bebê
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