Mundo
01/12/2008 - 15h49

Obama mantém secretário de Bush na Defesa e escala veteranos na Segurança

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da Folha Online

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama mantém secretário de Bush na Defesa e veteranos na Segurança, anunciou em entrevista coletiva nesta terça-feira a permanência do secretário de Defesa do governo de George W. Bush, Robert Gates.

No anúncio, Obama anunciou ainda mais quatro nomes de sua equipe de segurança: Eric Holder, procurador-geral; Janet Napolitano, secretária do Departamento de Segurança Nacional; Susan Rice, embaixadora dos EUA para a ONU (Organização das Nações Unidas); general Jim Jones, como conselheiro de Segurança Nacional e Hillary Clinton como secretária de Estado.

Gates assumiu o Pentágono há três anos e foi muito elogiado por republicanos e democratas pela sua atuação nos conflitos liderados pelos americanos. Neste domingo (30), ele afirmou que estava disposto a reorientar tropas americanas do Iraque ao Afeganistão, principal plataforma militar do governo de Obama.

Charles Dharapak/AP
Secretário de Defesa Robert Gates permanece no cargo
Secretário de Defesa Robert Gates permanece no governo Obama

"Eu darei a ele, assim que chegar à Casa Branca, a tarefa de encerra nossa ação militar no Iraque de maneira responsável, para que garantamos a estabilidade do país", disse Obama, ao anunciar a permanência de Gates em sua equipe de segurança.

"Como Gates disse, o Afeganistão é onde a guerra contra o terror começou e é onde deve terminar", continuou o presidente eleito, apontando as semelhanças de ideologias entre ele e o veterano republicano.

Gates, que era uma das principais apostas para o cargo, falou brevemente durante a coletiva e disse estar orgulhoso de ter sido escolhido por Obama. "Com profundo senso de responsabilidade com as tropas americanas e seus familiares, devo fazer meu papel como eles fazem o deles", disse.

"A tarefa de guiar nossas tropas tem sido a experiência mais gratificante da minha vida", completou Gates, cujos colegas diziam estar cansado e pensando seriamente em se aposentar.

E no período mais violento no Afeganistão desde a chegada das tropas americanas em 2001, após os ataques terroristas de 11 de Setembro, a permanência de Gates no cargo foi recebida com alívio pelos militares --que tinham dúvidas sobre a inexperiência de Obama no tema.

A escolha de Gates levantou dúvidas sobre a possibilidade de mais nomes do governo Bush e republicanos na equipe de Obama. Questionado por repórteres, o democrata disse apenas que não olhou o registro de voto de Gates antes de escolhê-lo. "Gates se encaixa no papel de se um extraordinário secretário de Defesa que fará de tudo para garantir que nossas tropas estejam bem equipadas e sejam capazes de fazer o melhor", disse.

Equipe

Obama anunciou ainda a escolha --também já prevista-- da governadora do Arizona, Janet Napolitano, como secretária do Departamento de Segurança Nacional. Napolitano assumirá assim um dos mais complicados departamentos do governo, sendo responsável por questões de imigração e segurança de fronteira --tema que foi evitado por Obama durante a campanha pela polêmica que traz entre os americanos.

Jeff Haynes/Reuters
Barack Obama anuncia equipe de segurança: Eric Holder, Janet Napolitano, Robert Gates, Joe Biden, Hillary Clinton, James Jones e Susan Rice
Presidente eleito, Barack Obama, anuncia sua equipe de Segurança formada por veteranos

"Ela entende a necessidade de um departamento de Segurança Nacional que saiba enfrentar catástrofes causados pelo homem ou pela natureza. Ela insiste na questão da responsabilidade política e sabe o risco de uma fronteira insegura", listou Obama, ao nomear Napolitano.

A governadora do Arizona dirige com altos índices de aprovação o Estado e é uma das mulheres mais proeminentes da política americana. "Sua mensagem de mudança ressoou no povo americano, assim como sua visão de que os EUA precisam estar seguros no mundo e em casa. A equipe enfrenta um desafio constante de vigilância e trabalho para garantir nossa segurança e daremos uma resposta rápida, efetiva e sonora a este desafio. Os americanos não merecem menos", completou a governadora.

O anúncio desta terça-feira incluiu ainda a nova embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, conselheira de Obama da época do Senado de Illinois.

"A ONU foi, em grande parte, uma criação americana, e eu divido seu [de Obama] compromisso de nos dedicar à ONU em sua efetividade e fortalecer sua capacidade", disse Rice, ao ser escolhida.

Rice, que é especialista em Política Externa e Economia Global e Programas de desenvolvimento do Instituto Brookings, reiterou o argumento de Obama de que a ONU, como entidade global, é fundamental para a retomada do papel de liderança dos EUA.

"Com a eleição de Obama, os americanos mostraram ao mundo que os EUA estão no caminho da mudança. E agora precisamos da ONU para prevenir conflitos, promover a paz, combater o uso e proliferação de armas nucleares, diminuir genocídio e combater pobreza', listou Rice.

Por último, Obama anunciou o general Jim Jones, de uma longa linhagem de "Jones que serviram em campos de batalha pelos EUA", como diplomata, serviu como conselheiro de Segurança Nacional.

"Jim está focado nas ameaças de hoje e amanhã, nos desafios de energia e segurança nacional. Ele me aconselha e fará com que estejamos efetivamente usando todas as ferramentas para enfrentar os desafios", disse Obama.

Jones retribuiu a citação de sua família, "que contribuiu desde 1939", e reiterou o argumento por um esforço bipartidário no governo Obama. "Trabalharemos para ajudar a fazer do mundo um lugar melhor e garantir que as próximas gerações viam seguras".

Comentários dos leitores
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
Presidente Obama nos dá uma lição de como um Estadista deve tratar o desenvolvimento de uma nação: com justiça social. Sem acesso à saúde garantido pelo Estado não se pode marchar rumo à consolidação de uma nação de forma sustentável. Com esta atitude o Predidente Obama abre mão de uma boa parte de sua popularidade, considerando que ele intefere num mercado (o da prestação de serviços de saúde) extremamente fisiológico, influente economicamente e com grande poder político. Os resultados virão, não tão rápido, mas as gerações porvindouras terão o que comemorar... sem opinião
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J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
As mortes causadas pelas campanhas dos USA pelo mundo dá para encher milhares de torres gêmeas e wordtradecenters. Na guerra nuclear não haverá vencedores, nem mesmo o poderoso USA sobrará, é a eutanásia da humanidade doente! sem opinião
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Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
A questão não é o fato do Obama defender o seu país e sim, dar continuidade a uma política de intervenção no país alheio, o que não é nada democrático, logo eles que "prezam" tanto pela democracia. Por qual motivo? Eu também lamento o atentado ocorrido no 11 de setembro, porém, acredito que isso não justifica a invasão estadunidense. Assim como no World Trade Center, no Afeganistão havia e ainda há muitos civis inocentes, sendo eles também vítimas das atrocidades cometidas por ambas as partes. O atentado terrorista provavelmente ainda servirá por muito tempo para justificar uma invasão que não tem justificativa para aqueles que se tornaram vítimas do horror da guerra. 5 opiniões
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