Índia pede "ações enérgicas" ao Paquistão
da Folha Online
A Índia acusou alguns "elementos" no Paquistão de estarem por trás dos ataques em Mumbai, que deixaram pelo menos 172 mortos, e exigiu de Islamabad "ações enérgicas", anunciou o Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira.
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Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
Autoridades da Índia afirmam que todos os terroristas tinham nacionalidade paquistanesa, de acordo com as investigações sobre os ataques que começaram na quarta-feira (26) e se estenderam até o sábado (29), com a tomada de dois hotéis e de um centro judaico na capital financeira da Índia.
Os ataques são um duro golpe no processo de paz iniciado em 2004 entre Índia e Paquistão, ambas potências nucleares. No domingo, a agência indiana PTI informou que Nova Déli estudava a suspensão do processo e que nos próximos dias tomaria uma decisão a respeito.
"O Alto Comissariado do Paquistão foi convocado pelo Ministério indiano das Relações Exteriores nesta tarde e foi informado de que os recentes atentados em Mumbai foram executados por elementos provenientes do Paquistão", anunciou um comunicado da chancelaria.
Nessa nota --que representa o primeiro protesto formal de Nova Déli a Islamabad--, a Índia disse esperar que "se tomem ações enérgicas contra os elementos responsáveis pelos ataques, sejam quem sejam".
Relação tensa
Cerca de 30 estrangeiros morreram nos ataques em Mumbai, realizados em dez locais diferentes, entre eles dois hotéis de luxo, uma estação ferroviária central, um hospital, um café e um centro judaico. "O ocorrido representa um duro golpe para o processo de normalização de relações e para as medidas de estabelecimento de confiança no Paquistão", declarou à agência France Presse o chanceler indiano, Anand Sharma.
Alguns responsáveis indianos estão convencidos de que os atentados em Mumbai foram realizados por um grupo baseado no Paquistão, o Lashkar-e-Taiba, talvez com o auxílio de membros do serviço secreto paquistanês.
O único terrorista capturado com vida --Ajmal Amir Kamal, 21-- declarou em seus interrogatórios que todos os seus companheiros eram paquistaneses treinados pelo Lashkar-e-Taiba, de acordo com a imprensa indiana, que cita os serviços de informação do país. Porém, Islamabad nega qualquer tipo de envolvimento nos ataques da semana passada.
Combate ao terrorismo
O protesto formal e as exigências indianas coincidiram com o pedido dos EUA ao Paquistão por total cooperação no combate ao terrorismo. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, visitará a Índia na próxima quarta-feira. Nesta segunda, ela foi a Londres, onde se reuniu com dirigentes britânicos, que mantêm estreitas relações com Índia e Paquistão.
Na capital britânica, Rice afirmou que ser crucial que o Paquistão demonstre "uma transparência e cooperação completa, total e absoluta" com a investigação indiana sobre o atentado em Mumbai.
A porta-voz da Casa Branca Dana Perino afirmou não saber de nada que relacione o governo de Islamabad aos atentados. A indignação popular pelo ocorrido aumentou ainda mais nesta segunda-feira na Índia, depois que meios de comunicação locais publicaram que as autoridades ignoraram uma advertência sobre um possível ataque a um hotel de luxo de Mumbai recebida há meses.
A Índia e o Paquistão se enfrentaram em três guerra e estiveram prestes a começar a quarta em 2001, após um atentado contra o parlamento indiano atribuído ao Lashkar-e-Taiba.
Com France Presse
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