Mundo
01/12/2008 - 22h42

Governo da Índia enfrenta pressão para encontrar responsáveis por atentado

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da Folha Online

A Índia afirma que os atentados contra a cidade de Mumbai na semana passada foram planejados no Paquistão, mas, segundo a rede CNN, o governo indiano está sob pressão para explicar as falhas de segurança que permitiram os ataques que mataram 172 pessoas e feriram outras 300. A maioria das mortes ocorreram nos dois hotéis mais luxuosos da capital financeira da Índia --o Oberoi e o Taj Mahal.

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Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.

A indignação popular com o ocorrido aumentou ainda mais nesta segunda-feira na Índia, depois que meios de comunicação locais publicaram que as autoridades ignoraram uma advertência sobre um possível ataque a um hotel de luxo de Mumbai recebida há meses.

Autoridades paquistanesas dizem que Islamabad não recebeu nenhuma evidência de que militantes dentro de seu país realizaram os ataque, mas disseram que irão cooperar totalmente com a investigação.

Os chanceleres da Índia e do Paquistão transmitiram as posições dos seus países em Nova Déli e em Islamabad nesta segunda-feira. Várias autoridades da Índia, incluindo o ministro do Interior, renunciaram em razão dos ataques.

Em nota --que representa o primeiro protesto formal de Nova Déli a Islamabad--, a Índia disse esperar que "se tomem ações enérgicas contra os elementos responsáveis pelos ataques, sejam quem sejam".

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice viajará a Nova Déli na quarta-feira para tentar diminuir as tensões entre as duas potências nucleares.

Investigação

As suspeitas sobre a autoria do ataque recaíram sobre o Lashkar-e-Taiba, grupo terrorista baseado no Paquistão aliado da rede Al Qaeda, que nega a responsabilidade pelo atentado.

As investigações da Índia estão centradas no único terrorista preso. Autoridades indianas identificaram o suspeito como Ajmal Amir Kamal, 21, fotografado durante o ataque a uma estação ferroviária de Mumbai.

Os outros nove terroristas foram assassinados nos três dias de confrontos com as forças de segurança indianas, de acordo com o governo.

A polícia disse que o suspeito é um paquistanês treinado pela Lashkar-e-Taiba. Segundo a CNN, o Paquistão baniu o grupo em 2002 após um ataque ao Parlamento da Índia que quase desencadeou a quarta guerra entre os dois países.

Fontes disseram à rede IBN, afiliada da CNN na Índia, que todos os terroristas tinham nacionalidade paquistanesa.

A única reivindicação da autoria dos ataques foi um e-mail enviado por um grupo até então desconhecido denominado Mujahedeen do Deccan, o qual as fontes afirmam que surgiu no Paquistão.

E-mail

As fontes disseram que o e-mail foi criado com o uso de um software de reconhecimento de voz em um computador do Paquistão, usando um servidor da Rússia.

O software, que criou o texto do e-mail, mostra que a pessoa que o ditou falava um dialeto paquistanês, de acordo com as fontes citadas pela CNN. Deccan, por exemplo, é um termo paquistanês para o sul da Índia.

Antes, fontes haviam afirmado à emissora que autoridades encontraram telefones e um aparelho de GPS em um barco abandonado na costa de Mumbai. A TV mostrou fotografias dos aparelhos que mostravam ligações para Jalalabad, no Paquistão.

O barco havia sido seqüestrado, segundo autoridades citadas pela IBN. Quatro tripulantes do barco estão desaparecidos, e o capitão foi encontrado morto.

Pescadores disseram ter visto um grupo de homens armados chegar de barco na noite da quarta-feira --quando começaram os ataques.

Mesmo que as evidências mostrem uma ligação com o Paquistão, especialistas em segurança indianos afirmam que um ataque de tal magnitude e coordenação exigiria conhecimento local para executa-lo.

Alguns explosivos encontrados no hotel Taj Mahal, último foco de resistência dos terroristas, foi identificado como RDX, um poderoso explosivo usado pelo grupo terrorista local Mujahedeen da Índia.

Tragédia

Os ataques a tiros e granadas ocorreram na noite de quarta-feira e atingiram vários pontos de regiões nobres de Mumbai --centro financeiro da Índia--, principalmente aqueles que são muito movimentados e populares entre ocidentais. Em três alvos --os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e o centro judaico Chabad Lubavitch --, os terroristas também mantiveram centenas de pessoas reféns.

Nos hotéis, o resgate dos reféns terminou apenas na sexta-feira (28). No Taj Mahal, o conflito entre as forças de segurança indianas e os terroristas só acabou sábado (29), quando os três últimos criminosos foram mortos.

No centro judaico, o cerco também acabou na sexta-feira, porém todos os reféns morreram. Segundo Israel, nove cidadãos morreram, ao todo, nos atentados. Entre eles estão o rabino americano Gavriel Holtzberg, 29, e a mulher dele, Rivka, 28, que deixaram um bebê

 

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