Mundo
02/12/2008 - 00h58

Bush reconhece que relatório sobre armas no Iraque foi seu maior erro

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da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconheceu nesta segunda-feira (1º) que seu maior erro na Presidência foi acreditar nos relatórios da Inteligência sobre as armas de destruição em massa no Iraque.

Em entrevista concedida à rede de TV ABC News, o governante também concordou que não estava preparado para a guerra quando assumiu o cargo, em 2001. "Acho que não estava preparado para a guerra. Em outras palavras, não fiz campanha dizendo: por favor, votem em mim, serei capaz de conduzir um ataque. Não antecipei a guerra", explicou.

Bush deixará a Casa Branca no dia 20 de janeiro com os índices de popularidade mais baixos de toda a história moderna dos EUA, em grande parte pela guerra contra o Iraque.

"Meu maior arrependimento é o erro da Inteligência no Iraque. Muita gente apostou sua reputação ao dizer que as armas de destruição em massa eram uma razão para derrubar Saddam Hussein", disse. Ele se esquivou de dizer se teria invadido o país caso a Inteligência tivesse dito que tais armas não existiam, como depois foi comprovado.

"É uma pergunta interessante, mas é uma volta ao passado que não posso fazer. É difícil para mim especular sobre essa hipótese", afirmou Bush ao jornalista Charles Gibson em uma recente conversa em Camp David, a residência de descanso presidencial.

Guerra do Iraque

Na Guerra do Iraque morreram mais de 4.000 soldados americanos, e atualmente há cerca de 150 mil militares no país árabe.

Apesar dos relatórios de inteligência errôneos, Bush se sente orgulhoso de não ter retirado de maneira prematura as tropas do Iraque, uma decisão que foi baseada em seus princípios. "Foi uma decisão difícil, especialmente porque muita gente me recomendava que deixássemos o Iraque", afirmou.

Para o líder americano, sua maior conquista como presidente foi a guerra contra o terror e o fato de ter mantido os americanos a salvo desde os atentados do 11 de Setembro.

Refletindo sobre seus oito anos na Casa Branca, Bush disse que espera que ser lembrado como um presidente que tomou decisões difíceis com princípios e que "não vendeu sua alma" para fazer política.

Crise e Obama

Além da guerra, Bush será lembrado pela crise econômica, que jogou os Estados Unidos em recessão em dezembro de 2007, segundo revelou nesta segunda-feira uma pesquisa do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (Nber, em inglês).

"Peço desculpas por o que está acontecendo, com certeza", afirmou. "Sem dúvida eu detesto a idéia de que pessoas estejam perdendo seus empregos. Por outro lado, a população americana precisa saber que nós manteremos a segurança no sistema [financeiro do país]. Eu digo, nós estamos intervindo. E se precisarmos intervir mais, nós o faremos."

Bush também admitiu que o democrata Barack Obama venceu as eleições em grande parte devido à impopularidade do atual governo. "Acho que muita gente votou no Obama porque decidiram vê-lo em suas televisões pelos próximos quatro anos fazendo político. Em outras palavras, foi uma escolha racional para presidente."

Com Efe e Associated Press

 

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