Mundo
02/12/2008 - 04h15

Justiça dissolve partido governista; explosão mata um na Tailândia

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da Folha Online

Atualizado às 06h02.

O Tribunal Constitucional autorizou a dissolução do partido do primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, ao declará-lo culpado de fraude eleitoral nas eleições de dezembro de 2007. A Corte também cassou os direitos políticos do premiê e de outros membros do PPP (Partido do Poder do Povo) por irregularidades.

Entenda a crise na Tailândia
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Além do PPP, outros dois dos maiores partidos de coalizão também foram suspensos --Chart Thai (Nação Tailandesa) e Matchimathipatai (Pela Democracia). A Constituição do país, aprovada no ano passado, estabelece que qualquer partido que viole a lei eleitoral deverá ser dissolvido e seus líderes inabilitados a exercer a função pública durante um período mínimo de cinco anos.

Wongsawat, cunhado do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em um golpe militar em 2006, teve seus direitos políticos cassados por cinco anos. A decisão também inclui a cassação de 37 membros do PPP.

Chaiwat Subprasom/Reuters
Manifestantes antigoverno comemoram cassação do premiê no aeroporto de Bancoc, que o grupo ocupa desde a semana passada
Manifestantes antigoverno comemoram cassação do premiê no aeroporto de Bancoc, que o grupo ocupa desde a semana passada

O PPP é considerado a "reencarnação" do Partido Thai Rak Thai (Tailandeses Aman o Tailandês), fundado pelo ex-primeiro-ministro deposto e também dissolvido pela Justiça em maio do ano passado por motivos similares.

O Chart Thai, liderado pelo ex-primeiro-ministro Banharn Silapa-archa, é um dos partidos políticos mais antigos da Tailândia, enquanto o Matchimathipatai e o PPP foram criados para concorrer nas eleições realizadas em dezembro de 2007.

"O tribunal tomou esta decisão para criar um exemplo político e um modelo. Estes partidos políticos minaram o sistema democrático da Tailândia", declarou o presidente do tribunal, Chat Chalavorn.

O porta-voz do governo Nattawut Sai-kau afirmou que o premiê e sua coalizão, formada por seis partidos, acataram a decisão e vão deixar o governo. "Nós vamos obedecer a lei. Os aliados vão se encontrar para planejar os próximos passos", disse.

A Corte deve decidir por uma nova eleição em breve, entre dezembro e março. Até lá, o vice-primeiro-ministro Chaovarat Chanweerakul assumirá o cargo de chefe de governo.

Protestos políticos

A medida surge em meio ao crescimento da violência entre manifestantes contra e pró-governo no país. Ao menos uma pessoa morreu e 20 pessoas ficaram feridas em uma explosão no aeroporto nacional de Bancoc (capital) onde membros do APD (Aliança do Povo pela Democracia), de oposição, acampam desde a semana passada para exigir a saída de Wongsawat.

A explosão aconteceu quando desconhecidos lançaram uma granada de uma passagem elevada da rodovia que leva ao aeroporto de Don Muang e perto do terminal, que desde quinta-feira passada está ocupado pelos manifestantes.

Um dos dirigentes da APD, Chamlong Srimuang, pediu nesta segunda-feira que os manifestantes deixem a sede do governo que ocupavam desde agosto em resposta à falta de proteção contra os ataques de adversários políticos.

Os seguidores do partido ocupam desde quarta-feira passada os dois aeroportos da capital para forçar a renúncia do governo. A dissolução dos partidos governistas constitui uma vitória da oposição.

"[A decisão] foi positiva porque os corruptos foram ordenados a sair. Isso é bom para a Tailândia. É a varredura da corrupção", disse Nong Sugrawut, um dos manifestantes antigoverno acampados no aeroporto internacional de Bancoc.

Os políticos cassados se recusaram a comentar a declaração dos opositores.

Em meio a protestos semelhantes, o antecessor de Wongsawat, Samak Sundaravej, foi tirado do governo pelo mesmo tribunal após resistir à pressão dos manifestantes.

Com Efe

 

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