Mundo
02/12/2008 - 07h17

Índia pede ao Paquistão extradição de suspeitos de ataques em Mumbai

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da Folha Online

O governo da Índia pediu ao Paquistão a extradição de 20 suspeitos de conexão com os atentados da semana passada em Mumbai, informou nesta terça-feira o ministro de Exteriores, Pranab Mukherjee.

Leia a cobertura completa dos atentados

Desmond Boylan/Reuters
Hotel Taj Mahal foi um dos alvos dos ataques terroristas em Mumbai na semana passada, que deixou 195 mortas e centenas feridas
Hotel Taj Mahal foi um dos alvos dos ataques terroristas em Mumbai na semana passada, que deixou 195 mortas e centenas feridas

"Fizemos o pedido [nesta segunda-feira (1º)]. Estamos esperando uma resposta do Paquistão", afirmou Mukherjee, citado pela agência indiana Ians, sobre a convocação no Ministério de Exteriores do chefe da legação diplomática paquistanesa em Nova Déli, Shahid Malik.

As ações terroristas coordenadas, levadas a cabo na quarta-feira (26) em Mumbai, capital financeira da Índia, concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Majal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.

O grupo radical islâmico Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) assumiu a autoria das explosões em pontos muito frequentados por ocidentais, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema e o popular Café Leopold, muito freqüentado por gente de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana.

"A comunidade internacional nos apóia, incluindo o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama", acrescentou o ministro em Mumbai.

O governo indiano convocou ontem à noite Malik para entregar um protesto formal pelo envolvimento de "elementos do Paquistão" nos atentados de Mumbai. Segundo um comunicado oficial, o governo indiano transmitiu ao embaixador sua exigência de que o Paquistão adote uma "ação contundente" contra esses responsáveis.

Nova Déli reivindicou ainda a extradição de acusados de atentados anteriores, como o suspeito de envolvimento nos atentados de Mumbai de 1993, Dawood Ibrahim, e o líder da formação Lashkar-e-Taiba, da Caxemira, Mohammed Saeed. Esta última organização foi apontada pelas autoridades como a responsável pelos ataques de Mumbai, depois da confissão do único terrorista capturado vivo pelas forças de segurança.

Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.

Pressão

Reportagem publicada pela rede de televisão americana CNN apontou nesta segunda-feira que o governo indiano está sob pressão para explicar as falhas de segurança que permitiram os ataques que mataram 195 pessoas e feriram outras 300.

A indignação popular com o ocorrido aumentou ainda mais nesta segunda-feira na Índia, depois que meios de comunicação locais publicaram que as autoridades ignoraram uma advertência sobre um possível ataque a um hotel de luxo de Mumbai recebida há meses.

Autoridades paquistanesas dizem que Islamabad não recebeu nenhuma evidência de que militantes dentro de seu país realizaram os ataque, mas disseram que irão cooperar totalmente com a investigação.

Os chanceleres da Índia e do Paquistão transmitiram as posições dos seus países em Nova Déli e em Islamabad nesta segunda-feira. Várias autoridades da Índia, incluindo o ministro do Interior, renunciaram em razão dos ataques.

Em nota --que representa o primeiro protesto formal de Nova Déli a Islamabad--, a Índia disse esperar que "se tomem ações enérgicas contra os elementos responsáveis pelos ataques, sejam quem sejam".

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice viajará a Nova Déli na quarta-feira para tentar diminuir as tensões entre as duas potências nucleares.

com Efe

 

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