Índia nega ação militar contra Paquistão, mas exige extradição de 20 terroristas
da Folha Online
O governo da Índia negou nesta terça-feira que estude uma ação militar contra o Paquistão em resposta aos ataques terroristas em Mumbai, centro financeiro da Índia, que deixaram 172 mortos na semana passada e pioraram a já tensa relação entre os dois países vizinhos.
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
"Ninguém está falando de uma ação militar", disse o ministro de Relações Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, aos jornalistas em um fórum entre Índia e países árabes que começou em Nova Déli. A declaração acalmou a tensão entre os dois países e amenizou os temores de um conflito militar.
Em comentários vistos pela imprensa indiana como "significativos", Mukherjee disse que apenas "o tempo mostrará o que a Índia fará" para investigar os atentados. A declaração foi uma resposta ao comentário do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que afirmou em coletiva nesta segunda-feira (1º) que o Paquistão, como nação soberana, tem o direito de se defender de quaisquer ataques.
| B Mathur/Reuters |
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| Ministro de Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, negou ação militar |
Contudo, Mukherjee ressaltou que o governo exige uma demonstração de que o governo paquistanês está disposto a ajudar nas investigações sobre os atentados terroristas cometidos na quarta-feira passada (26) pelo grupo de radicais islâmicos Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia).
As ações terroristas coordenadas, levadas a cabo na quarta-feira (26) em Mumbai, capital financeira da Índia, concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Majal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.
O governo indiano pede que o Paquistão extradite de cerca de 20 supostos terroristas, entre eles o chefe do Lashkar-e-Taiba, o grupo com base no Paquistão ao qual a Índia acusou pelo massacre em Mumbai.
"Agora, nós exigimos a prisão e entrega destas pessoas que estão no Paquistão e que são fugitivos da justiça indiana", disse Mukherjee. "Fizemos o pedido (na segunda-feira). Estamos esperando uma resposta do Paquistão", completou, se referindo ao chefe da delegação diplomática paquistanesa em Nova Déli, Shahid Malik.
| PD Karguppikar/AP |
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| Imagem do hotel de luxo Taj Mahal destruído por explosões durante atentados terroristas |
O governo indiano convocou ontem à noite Malik para entregar um protesto formal pelo envolvimento de "elementos do Paquistão" nos atentados em Mumbai. Segundo um comunicado oficial, o governo indiano transmitiu ao embaixador sua exigência de que o Paquistão adote uma "ação contundente" contra esses responsáveis.
Entre eles, estão o acusado de ser responsável pelos atentados de Mumbai em 1993, Dawood Ibrahim, e os líderes dos grupos da Caxemira Lashkar-e-Taiba, Mohammed Said; e Jaish-e-Mohamad, Massoud Azhar. "Há listas de cerca de 20 pessoas. Estas listas são algumas vezes alteradas e este exercício continua e nós renovamos nossa diligência", afirmou o ministro indiano, acrescentando que aguardará a resposta paquistanesa.
Compromisso
Em Islamabad, o ministro de Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, ofereceu como "gesto de compromisso" a criação de uma "comissão conjunta" para investigar os atentados em Mumbai. Qureshi disse ter levado essa proposta a representantes diplomáticos em Islamabad, aos quais reiterou a intenção de seu governo de cooperar para "levar à Justiça os que cometeram esse atroz ato terrorista".
Os indianos acusam grupo paquistanês pelos atentados após o interrogatório do único terrorista capturado vivo pelas forças de segurança após os ataques. Ele teria confessado que o grupo foi treinado no Paquistão pelo grupo Lashkar-e-Taiba.
Islamabad negou qualquer envolvimento com o ataque desde o início, mas o governo indiano parece disposto a provar a relação entre os terroristas que atacaram Mumbai e grupos paquistaneses.
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