Mundo
02/12/2008 - 14h08

Com queda do premiê, oposição anuncia desocupação de aeroportos de Bancoc

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da Folha Online

A Aliança do Povo para a Democracia (APD), que organizou um protesto de seis meses contra o governo do premiê tailandês, Somchai Wongsawat, anunciou que vai desocupar os dois aeroportos da capital, Bancoc, nesta quarta-feira (3). O recuo é resultado da queda de Somchai, banido pelo Tribunal em um caso de fraude eleitoral.

O anúncio foi feito pelo líder da APD, Sonthi Limthongkul, que também pediu a seus partidários que coloquem fim aos protestos, pelo menos temporariamente. "Nós terminamos nossa missão", disse Sondhi, acrescentando que os manifestantes antigoverno deixarão o aeroporto às 10h desta quarta-feira (01h, no horário de Brasília).

Entenda a crise na Tailândia
Veja imagens dos protestos

Wichai Tapriew/AP
Premiê Somchai Wongsawat cumprimenta apoiadores no lado de fora de sua casa
Premiê Somchai Wongsawat cumprimenta apoiadores

A APD argumenta que Somchai é um aliado do ex-premiê Thaksin Shinawatra, foragido da justiça do país sob acusações de corrupção e abuso de poder. Segundo a APD, formada principalmente por pessoas da classe média, o sistema eleitoral do país é suscetível à venda de votos da maioria rural, que está sob a influência de Thaksin. Eles propõem substituir o Parlamento elegível por um que seja, em sua maioria, indicado, uma medida que os críticos dizem ser para manter o poder na mão da elite urbana.

"Se um governo boneco [aliado do ex-premiê] retornar ou o novo governo mostrar sua insinceridade em pressionar por uma reforma política, nós voltaremos", completou Sonthi.

A APD ocupava o moderno aeroporto de Suvarnabhumi, em cuja construção foram investidos US$ 4 bilhões, e o antigo de Don Muang há uma semana, em uma estratégia que prejudicou milhares de turistas, causou danos milionários à exportação tailandesa e aumentou a pressão política pela renúncia do premiê.

O fechamento temporário de Suvarnabhumi e Don Muang --que ficam a cerca de 35 e 30 quilômetros da capital tailandesa, respectivamente-- deixou 350 mil passageiros sem vôos.

Suvarnabhumi, o principal aeroporto da Tailândia, atendia cerca de 125 mil pessoas diariamente, com 79 vôos por hora. Segundo um membro do Painel de Comércio tailandês, citado pelo jornal "Nation", as perdas em exportação chegam a US$ 85 bilhões por dia de paralisação.

Vincent Thian/AP
Manifestantes da Aliança do Povo para a Democracia comemoram saída do premiê
Manifestantes da Aliança do Povo para a Democracia comemoram saída do premiê

A Aeroportos da Tailândia, autoridade aeroportuária tailandesa, anunciou que os primeiros vôos do aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bancoc, sairão na próxima quinta-feira (4) para Roma e Sydney.

A decisão foi divulgada depois que o presidente da autoridade aeroportuária tailandesa, Vudhibhandhu Vichairatana, reuniu-se com os dirigentes da APD e inspecionou as instalações com alguns deles, para ver o estado do local após o "acampamento" dos manifestantes.

"Por favor, tenham confiança em nós", disse Vudhibhandhu, que chamou a retomada dos vôos de um presente de aniversário ao rei Bhumibol Adulyadej, que faz 81 anos em 5 de dezembro.

A decisão de colocar fim aos protestos ocorre algumas horas depois que o Tribunal Constitucional dissolveu três partidos da coalizão governante por fraude eleitoral e tornou seus dirigentes inelegíveis por cinco anos, incluindo Somchai.

O primeiro vice-premiê, Chavarat Charnvirakul, assumiu as funções do chefe do Executivo durante o prazo de 30 dias para o Parlamento nomear um novo premiê.

Expectativas

A decisão do Tribunal que baniu Somchai e o obrigou a deixar o poder causou protestos de manifestantes pró-governo, que cercaram a Corte na tentativa de forçar uma nova decisão.

O rei da Tailândia, que já interveio em outras crises políticas no país em suas seis décadas de trono, não fez menção sobre os problemas no país durante breve discurso em uma parada militar em sua homenagem, em Bancoc.

Embora os protestos antigoverno estejam aparentemente encerrados, a crise política na Tailândia pode estar longe do fim. "As divisões são tão profundas, é difícil ver como isso pode acabar", disse o analista político Giles Ungpakhorn, da Universidade Chulalongkorn, de Bancoc.

"É difícil ver um final a polarização política destrutiva na Tailândia", disse Tom Byrne, especialista em questões da Ásia e Oriente Médio. "Nós acreditamos que os eventos da semana passada vão afetar a economia da Tailândia em curto prazo e complicar o fazer político em um tempo no qual o governo precisa responder de maneira coerente à recessão global".

Com agências internacionais

 

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