Marinha indiana diz que falha de sistema levou a ataques em Mumbai
da Reuters, em Nova Déli
A Marinha indiana disse nesta terça-feira que uma falha de sistema nos serviços de segurança e inteligência levou aos ataques terroristas em Mumbai, na quarta-feira passada (26), que mataram 172 pessoas, informou a agência de notícias PTI. "Talvez haja uma lacuna e vamos trabalhar para resolver isso. Existe uma falha de sistema que precisa ser solucionada", disse o almirante Sureesh Mehta, comandante da Marinha, em uma entrevista coletiva.
Mehta afirmou que o governo vai dar uma resposta adequada aos ataques dos militantes, acrescentando que a Marinha não havia recebido nenhum informação "acionável" que poderia ter impedido os ataques, de acordo com a agência PTI.
| Efe |
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| Indianos colocam velas no hotel Taj Mahal, um dos locais do ataque |
Fontes de inteligência disseram ao canal de notícias NDTV que tinham emitido uma série de alertas sobre um possível ataque em Mumbai por mar nos meses que precederam os atentados da semana passada. O mais recente alerta, avisando que o "braço marítimo" do grupo militante Lashkar-e-Taiba, sediado no Paquistão, planejava atacar foi divulgado somente oito dias antes do incidente, segundo o canal.
A declaração vem em um momento no qual a Índia sofre grande pressão para descobrir os responsáveis pelos atentados coordenados em Mumbai, capital financeira da Índia. Os ataques, cuja autoria foi assumida pelo desconhecido grupo Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Majal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.
Os pescadores, que servem de informantes à Guarda Costeira na Índia, disseram que o governo ignorou seus alertas quatro meses atrás sobre militantes usando rotas marítimas para trazer explosivos para Mumbai com ajuda de criminosos da cidade.
Muitos indianos expressaram indignação com os aparentes lapsos dos serviços de inteligência e a reação lenta das forças de segurança aos ataques contra diversos marcos da cidade de 18 milhões de habitantes. A polícia indiana, Guarda Costeira e as comunidades de inteligência trocam acusações sobre possíveis informações que poderiam ter prevenido os ataques em Mumbai.
Mehta pediu uma coordenação melhor entre agências de inteligência e de segurança, e disse que o governo está ciente do repúdio popular e do debate que se seguiu aos ataques em Mumbai, relatou a PTI. "Há talvez um vão que exista e nós trabalharemos nisso. Há uma falha sistêmica que precisa ser resolvida", disse o almirante. "Estamos plenamente conscientes disso e do debate. A questão é que se trata de um tema de segurança sério."
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
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