Chávez insiste na reeleição até 2012 na Venezuela
da Folha Online
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a insistir na reeleição no pleito de 2012, depois que a proposta de reeleição indefinida foi derrotada em referendo. Dessa vez, Chávez defendeu a aprovação da medida por uma "simples emenda" constitucional.
"Estão dizendo que a proposta [de reeleição indefinida] é inconstitucional, mas a Constituição se refere ao caso de reforma constitucional, que quando não é aprovada, não pode ser reapresentada no mesmo período constitucional, mas estamos falando de uma simples emenda", disse Chávez em um ato transmitido por rádio e TV.
A reforma constitucional, que reunia 69 artigos, incluindo a reeleição por tempo indefinido do presidente, foi rejeitada em referendo há um ano.
"Já começou a gritaria contra-revolucionária, dizem que Chávez está doente de poder (...), que é um tirano, um ditador (...) podem dizer qualquer coisa, oligarcas da Venezuela, não me importo, sei apenas que vamos emendar a Constituição bolivariana".
A atual Constituição, promovida pelo próprio Chávez em 1999, prevê um mandato presidencial de seis anos, com apenas uma reeleição.
Segundo o presidente, nas "próximas horas decidiremos" como introduzir a emenda, se por decisão de 30% dos deputados da Assembléia Nacional, controlada pelo chavismo, ou por iniciativa popular, o que exige a assinatura de 15% dos eleitores inscritos, algo em torno de 2,5 milhões de pessoas.
Ele afirmou que o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), do qual é presidente, decidirá nos próximos dias uma via para isso. Chávez disse que seu desejo é levar a reeleição indefinida a referendo até o final de fevereiro de 2009.
"Estou convencido de que, independentemente do que dizem meus adversários (...), devo permanecer por mais alguns anos à frente do governo da Venezuela", afirmou. "A partir de agora me lanço como pré-candidato presidencial para 2012", conclui Chávez.
Se a reforma do texto constitucional for rejeitada mais uma vez pelos eleitores, o líder venezuelano deverá deixar o poder ao término de seu atual mandato, em fevereiro de 2013.
O líder opositor Manuel Rosales, que perdeu para Chávez as presidenciais de dezembro de 2006, disse hoje que a Venezuela "não quer um rei".
"Este povo não quer um rei, não quer um homem coroado como rei, quer alternância no poder, quer ter a oportunidade de escolher seu presidente", afirmou Rosales, eleito recentemente prefeito de Maracaibo, capital do estado de Zulia.
Com Efe e France Presse
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