Mundo
04/12/2008 - 11h06

Putin responde a perguntas na TV e diz que crise não abaterá a Rússia

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colaboração para a Folha Online

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira à população que os salários e pensões não serão reduzidos devido à crise global e voltou a culpar os Estados Unidos pela retração econômica. O primeiro-ministro participou nesta quinta-feira de um programa TV, transmitido nacionalmente, em que respondeu ao vivo perguntas feitas pelo público.

Alexei Druzhinin/Reuters
Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, responde a perguntas ao vivo na TV
Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, responde a perguntas ao vivo na TV

Putin afirmou que o governo será capaz de prevenir uma queda dos padrões de vida e que planos estão sendo elaborados para aumentar salários e pensões.

"Nós temos todos os meios de passar por esse período de dificuldade com o mínimo de problemas", afirmou. Ele disse que a economia russa deve crescer 7% este ano, mesmo com a retração e prometeu que os salários e pensões terão 12% de reajuste.

Putin disse que as reservas do país --a terceira maior do mundo-- são suficientes para cobrir os efeitos da crise financeira. "Não vamos permitir nenhuma flutuação do câmbio", afirmou.

"Vamos usar nossas reservas com cautela. Se conduzirmos uma política bem balanceada, esses fundos serão suficientes", disse. O primeiro-ministro russo afirmou que os Estados Unidos são os responsáveis pela crise global e que o país contaminou todas as principais economias.

Leste europeu

O primeiro-ministro russo também afirmou que o país vai manter a presença militar nas regiões separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul, atacadas este ano pela Geórgia. "Os acordos de cooperação [assistência em caso de agressão estrangeira] assinados com a Ossétia e Abkházia são a maior garantia de que a Rússia não tem a intenção de abandonar a região", disse.

Putin disse que Moscou "vai oferecer toda ajuda possível" aos países, inclusive em relação à crise financeira. "Quanto à reconstrução da Ossétia do Sul, o acordo prevê a reserva de consideráveis recursos financeiros especialmente com esse objetivo", disse.

Segundo o primeiro-ministro, os governantes do país vizinho "deram um duro golpe na integridade territorial de seu próprio Estado". Putin comparou o que aconteceu na Ossétia do Sul com a guerra do Iraque. "No Iraque, os soldados americanos entraram com a desculpa de encontrar armas de destruição em massa, que nunca foram achadas (...) Por sua vez, as tropas georgianas lançaram um banho de sangue e exterminaram cidadãos inocentes da Ossétia do Sul e atacaram nossas forças de paz", afirmou.

Essa foi a sétima vez que o primeiro-ministro russo comparece ao programa de TV para responder perguntas ao vivo. A iniciativa está sendo vista por analistas como um sinal sobre as intenções políticas de Putin. Mudanças na constituição do país para estender o mandato presidencial para seis anos aumentaram as especulações de que o presidente Dmitri Medvedev pode sair do cargo antes para que Putin possa concorrer ao cargo.

Durante a Presidência, Putin criou a tradição de falar diretamente à população duas vezes por ano, uma vez com jornalistas em uma grande entrevista no Kremlin e outra com cidadãos, ao vivo pela TV. Em outubro de 2007, Putin bateu seu recorde ao responder durante três horas e seis minutos 69 perguntas entre as mais de 2,5 milhões que foram enviadas.

Entre as perguntas, a maioria fazia referência à política interna da Rússia e só uma em cada dez tratava de assuntos de caráter internacional.

Com Efe e Associated Press

 

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