Polícia acha granada em hospital de Mumbai atacado por terroristas
da Folha Online
A polícia informou ter encontrado uma granada intacta do lado de fora do Hospital Cama, um dos locais atacados durante ações terroristas coordenadas em Mumbai, há oito dias. A descoberta aconteceu no mesmo dia em que o governo indiano declarou estado de alerta em três grandes aeroportos do país, após avisos de agências de inteligência.
O inspetor de polícia, Shashi Pal, disse que a granada foi encontrada por um paciente em uma lata de lixo atrás do hospital. O esquadrão antibombas foi acionado imediatamente para remover o explosivo. Pal afirmou ainda que a granada pode ter sido deixada no hospital pelos terroristas, durante ações coordenadas que mataram 172 pessoas e feriram cerca de 300. A investigação, contudo, ainda não foi concluída.
Nesta quarta-feira (3), a polícia encontrou e desarmou dispositivos explosivos similares aos utilizados nos ataques terroristas. O chefe da brigada local antiterrorista, K.P. Raghuvashi, confirmou que os explosivos foram deixados pelos terroristas e afirmou que a situação está "sob controle". Contudo, o episódio atraiu críticas ao trabalho da polícia, que havia declarado a estação segura e a reaberto horas após o ataque.
As ações terroristas coordenadas, levada a cabo na quarta-feira (26) em Mumbai, foram assumidas por um grupo desconhecido, Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia). Elas se concentraram em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Majal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional.
Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito freqüentado por turistas e gente de Bollywoody, a indústria cinematográfica indiana.
Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
Ameaça constante
A granada encontrada no Hospital Cama amplia o temor entre os indianos de novos ataques terroristas há apenas oito dias das ações dos terroristas em Mumbai. As agências de inteligência receberam, segundo a mídia local, um novo e-mail com ameaças de um possível ataque aéreo dos Mujahedin de Deccan.
| Gurinder Osan/AP |
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| Soldado paramilitar indiano faz a segurança em um dos aeroportos sob estado de alerta |
Diante da ameaça, e sob críticas por possíveis falhas na segurança que teriam permitido os ataques a Mumbai, o governo indiano declarou estado de alerta nos aeroportos de Nova Déli, Bangalore e Chennai e implementou medidas extras de segurança na verificação de veículos e bagagens.
A televisão local mostrou policiais armados fazendo a segurança das entradas do aeroporto internacional de Déli. Os cordões da polícia foram montados também do lado de fora do aeroporto, na cidade industrial de Chennai.
O chefe da Força Aérea, Fali Homi, afirmou à agência de notícias Associated Press, que o estado de alerta foi declarado com base no alerta recebido e que as forças de segurança indiana "estão preparadas como sempre". O ministro de Defesa indiano, A.K. Antony, convocou os líderes militares nesta quarta-feira (3) para alertá-los para estarem preparados para um ataque aéreo e marítimo.
Acusações
Pressionados para encontrarem os responsáveis pelos ataques --analistas apontam que o grupo Mujahedin de Deccan pode ser parte de um grupo maior ou até mesmo um nome fictício--, a Índia acusa o Paquistão de acobertar em seu território os grupos terroristas responsáveis pelos ataques.
A Índia e Paquistão, duas potências nucleares, já foram à guerra três vezes desde que se separaram em 1947, com a independência do Império Britânico, e vivem uma relação diplomática tensa.
| Emilio Morenatti/AP |
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| Condoleezza Rice diz que o Paquistão está comprometido com luta contra o terrorismo |
Segundo os indianos, a evidência do interrogatório de Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, único suspeito capturado vivo, apontou que o grupo foi treinado pelos militantes paquistaneses do Lashkar-e-Taiba --que ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países.
O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, reiterou nos últimos dias que o país não tem ligação com os ataques em Mumbai e disse não ter recebido provas concretas sobre a identidade do suspeito preso pelas forças de segurança indianas. A Índia, contudo, não recuou nas acusações.
Para amenizar as tensões entre os dois países, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, viajou à Índia e ao Paquistão. Ela afirmou nesta quinta-feira, em Islamabad, estar satisfeita com a resposta dos líderes paquistaneses e reiterou que o governo paquistanês está comprometido a ajudar a Índia esclarecer quem são os responsáveis pelos atentados terroristas da semana passada.
"Vi os líderes do Paquistão muito concentrados e comprometidos", disse à imprensa após uma reunião com Zardari, o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani e comandantes militares. "Eu encontrei um governo paquistanês que está focado na ameaça e entende sua responsabilidade de responder ao terrorismo e extremismo onde quer que esteja".
Após a conversa com Rice, Zardari prometeu que seu governo adotará "fortes medidas" contra qualquer paquistanês envolvido nos atentados. "O governo não somente ajudará na investigação, como adotará fortes medidas contra qualquer paquistanês envolvido nos atentados", afirma o comunicado oficial divulgado após a reunião.
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