Mundo
04/12/2008 - 14h21

Hotel Oberoi Trident de Mumbai reabre após ataques terroristas

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da Folha Online

O luxuoso hotel Oberoi Trident de Mumbai, um dos diversos alvos dos ataques terroristas que atingiram a cidade indiana entre quarta-feira (26) e sexta-feira (28) passadas e deixaram 172 mortos e cerca de 300 feridos, reabrirá no próximo dia 21 de dezembro, informaram os seus administradores nesta quinta-feira.

"Quando o hotel reabrir, serão iniciadas medidas reforçadas para assegurar a segurança e a comodidade dos hóspedes e do pessoal", afirmaram os administradores, em uma nota que foi divulgada pela mídia indiana. A direção e "o pessoal trabalha contra o relógio para que o hotel esteja pronto para receber clientes", afirmou o documento.

O hotel Oberoi Trident é formado por dois imponentes edifícios e, por enquanto, só um deles poderá reabrir suas portas. O segundo ainda não tem data de reabertura.

Efe
Forças de segurança guardam rua do hotel de luxo Oberoi Trident, em Mumbai, onde terroristas fizeram hóspedes de reféns nos ataques coordenados de quarta-feira (26), que deixaram 195 mortos e cerca de 300 feridos
Forças de segurança guardam rua do hotel de luxo Oberoi Trident, em Mumbai, onde terroristas fizeram hóspedes de reféns nos ataques coordenados de quarta-feira (26), que deixaram 195 mortos e cerca de 300 feridos

Os ataques terroristas de quarta-feira passada foram coordenados e atingiram as regiões mais nobres de Mumbai. Em três dos alvos --nos hotéis luxuosos Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e no centro judaico Chabad Lubavitch-- eles mantiveram centenas de pessoas reféns. O resgate dos reféns terminou na sexta-feira, porém o cerco a um dos hotéis, o Taj Mahal, acabou apenas no sábado (29), com a morte de três terroristas.

Desde os atentados, ao menos outros três alvos dos terroristas tentaram retomar a rotina, ainda que sob ameaça constante.

O primeiro foi o Café Leopold, famoso entre turistas e entre os profissionais de Bollywood --como é chamada a gigante indústria cinematográfica indiana--, que reabriu durante o fim de semana seguinte aos ataques, por alguns minutos, para, de acordo com o proprietário, demonstrar força diante do terrorismo.

Outro alvo é a estação de trens Chhatrapati Shivaji, que tem funcionado normalmente. Nesta quarta-feira (3), porém, explosivos foram encontrados no terminal, o que provocou alarme. O terceiro alvo aberto, o Hospital Cama, passou por situação similar nesta quinta-feira, quando um paciente encontrou uma granada em uma lixeira, atrás do prédio.

Nos dois casos de encontro de explosivos, os artefatos foram desativados sem deixar vítimas.

Os ataques foram assumidos por um grupo islâmico desconhecido, o Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia). Durante as ações, nove suspeitos foram mortos e só um deles foi preso com vida. De acordo com a Índia, o vizinho Paquistão esteve envolvido no planejamento e na execução dos ataques.

Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.

Aeroportos

Os explosivos encontrados nos dois locais atacados pelos terroristas da semana passada ampliaram o temor entre os indianos de novos ataques terroristas há apenas oito dias das ações em Mumbai. As agências de inteligência receberam, segundo a mídia local, um novo e-mail com ameaças de um possível ataque aéreo dos Mujahedin de Deccan.

Gurinder Osan/AP
Soldado paramilitar indiano faz a segurança em um dos aeroportos sob estado de alerta
Soldado paramilitar indiano faz a segurança em um dos aeroportos sob estado de alerta

Diante da ameaça, e sob críticas por possíveis falhas na segurança que teriam permitido os ataques a Mumbai, o governo indiano declarou estado de alerta nos aeroportos de Nova Déli, Bangalore e Chennai e implementou medidas extras de segurança na verificação de veículos e bagagens.

A televisão local mostrou policiais armados fazendo a segurança das entradas do aeroporto internacional de Déli. Os cordões da polícia foram montados também do lado de fora do aeroporto, na cidade industrial de Chennai.

O chefe da Força Aérea, Fali Homi, afirmou à agência de notícias Associated Press, que o estado de alerta foi declarado com base no alerta recebido e que as forças de segurança indiana "estão preparadas como sempre". O ministro de Defesa indiano, A.K. Antony, convocou os líderes militares nesta quarta-feira (3) para alertá-los para estarem preparados para um ataque aéreo e marítimo.

Acusações

Pressionados para encontrarem os responsáveis pelos ataques --analistas apontam que o grupo Mujahedin de Deccan pode ser parte de um grupo maior ou até mesmo um nome fictício--, a Índia acusa o Paquistão de acobertar em seu território os grupos terroristas responsáveis pelos ataques.

A Índia e Paquistão, duas potências nucleares, já foram à guerra três vezes desde que se separaram em 1947, com a independência do Império Britânico, e vivem uma relação diplomática tensa.

Emilio Morenatti/AP
Condoleezza Rice diz que o Paquistão está comprometido com luta contra o terrorismo
Condoleezza Rice diz que o Paquistão está comprometido com luta contra o terrorismo

Segundo os indianos, a evidência do interrogatório de Mohammad Ajmal Mohammad Amin Kasab, único suspeito capturado vivo, apontou que o grupo foi treinado pelos militantes paquistaneses do Lashkar-e-Taiba --que ficou conhecido por combater os indianos na conquista da Caxemira, um dos principais pontos de tensão entre os dois países.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, reiterou nos últimos dias que o país não tem ligação com os ataques em Mumbai e disse não ter recebido provas concretas sobre a identidade do suspeito preso pelas forças de segurança indianas. A Índia, contudo, não recuou nas acusações.

Para amenizar as tensões entre os dois países, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, viajou à Índia e ao Paquistão. Ela afirmou nesta quinta-feira, em Islamabad, estar satisfeita com a resposta dos líderes paquistaneses e reiterou que o governo paquistanês está comprometido a ajudar a Índia esclarecer quem são os responsáveis pelos atentados terroristas da semana passada.

"Vi os líderes do Paquistão muito concentrados e comprometidos", disse à imprensa após uma reunião com Zardari, o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani e comandantes militares. "Eu encontrei um governo paquistanês que está focado na ameaça e entende sua responsabilidade de responder ao terrorismo e extremismo onde quer que esteja".

Após a conversa com Rice, Zardari prometeu que seu governo adotará "fortes medidas" contra qualquer paquistanês envolvido nos atentados. "O governo não somente ajudará na investigação, como adotará fortes medidas contra qualquer paquistanês envolvido nos atentados", afirma o comunicado oficial divulgado após a reunião.

 

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