Mundo
04/12/2008 - 15h35

Zimbábue declara emergência nacional diante de surto de cólera

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da Folha Online

O governo do zimbábue declarou estado de emergência nacional diante de um grave surto de cólera que já deixa 565 mortos e mais de 3.000 doentes no país.

O governo apela para assistência internacional para combater a doença que já ameaça avançar pela fronteira com a África do Sul. O governo sul-africano disse estar extremamente preocupado com as condições de saúde no país já que milhares de zimbabuanos estão cruzando a fronteira, na maior parte ilegalmente, em busca de condições melhores.

AP
Crianças recolhem água de poço em Harare; mais de 3.000 estão doentes com cólera
Crianças recolhem água de poço em Harare; mais de 3.000 estão doentes com cólera

Segundo a Organização das Nações Unidas estima que 565 pessoas já morreram no surto de cólera e a capital, Harare, é a região mais atingida. O surto é agravado pela crise econômica do país, que sofre com as maiores índices de inflação do mundo, e a falta de condições sanitárias mínimas de prevenção, além de tratamento. na capital, já se fala no colapso do sistema de água, o que força os moradores a tomarem água de córregos e poços.

A crise econômica no país, isolado pelas potências ocidentais diante do governo autoritário do presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980, enfraqueceu os sistema de saúde e torna mais difícil combater o surto de uma doença considerada de fácil prevenção.

"Nossos hospitais centrais não estão funcionando. Nossa equipe está desmotivada e nós precisamos de seu apoio para garantir que eles comecem a funcionar e nosso sistema de saúde seja recuperado", disse o ministro de Saúde do Zimbábue, David Parirenyatwa.

Segundo o ministro, o país precisa de remédios, equipamentos médicos e comida para os pacientes e programas de alimentação para crianças. "O pedido de emergência nos ajudará a reduzir a mortalidade associada com o atual ambiente socio-econômico até dezembro de 2009", disse o ministro.

Ajuda humanitária

Segundo a organização dos Médicos Sem Fronteira (MSF), a cidade de Beitbridge é uma das mais afetadas pelo surto de cólera. "Os serviços básicos estão em falta, principalmente em uma cidade como essa, onde o crescimento é totalmente descontrolado. O lixo está espalhado por toda parte. O esgoto corre a céu aberto nas ruas de Beitbridge. Quase todo dia há falta de água e energia elétrica", diz comunicado da organização.

O MSF estipula que cerca de 3.000 pessoas já foram contaminadas pela doença e o número pode aumentar. "Normalmente a cólera começa com alguns poucos casos e só temos um ápice depois de algumas semanas", afirma Luís María Tello, coordenador de emergências de MSF em Beitbridge.

A MSF está tratando do surto de cólera no Zimbábue desde agosto deste ano e instalou dois centros de tratamento da doença na capital. Segundo a organização, cerca de 4.000 pacientes foram tratados nestes centros e outros 1.300 no distrito de Mudzi, na fronteira com
Moçambique. A cada dia, aproximadamente 350 pessoas são internadas na capital.

Instabilidade política

O governo de Mugabe, 84, argumenta que o sistema de saúde e a economia do país estão em colapso por causa das sanções impostas pelo ocidente como medida para encerrar os conflitos políticos. Segundo o governo, as medidas impediram que Mugabe tirasse milhares de fazendeiros brancos do país e redistribuísse as terras para negros.

Os críticos dizem que Mugabe arruinou a economia do Zimbábue com políticas irresponsáveis e falta de gerenciamento.

A situação fica ainda pior já que o país não tem um governo efetivo há meses. O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, derrotou Mugabe nas eleições presidenciais realizadas em 29 de março, mas por não ter obtido maioria absoluta dos votos foi realizado um segundo turno, em 27 de junho.

No entanto, uma semana antes da realização do mesmo, Tsvangirai se retirou das eleições por causa de ataques contra seus partidários por forças fiéis a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos.

Mugabe e Tsvangirai assinaram um acordo de divisão do poder em 15 de setembro passado, mas até agora não conseguiram chegar a um consenso. A definição do novo governo, no qual Tsvangirai assume como primeiro-ministro e Mugabe fica como presidente, depende das disputas pelos 31 postos ministeriais.

O opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) acusa Mugabe e seu partido, o ZANU-PF, de tentar arrebatar todos os principais cargos. Tsvangirai disse na segunda-feira (1º) que a oposição mantém "resistência democrática pacífica".

Com Reuters e Associated Press

 

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