Mundo
05/12/2008 - 15h51

Saiba mais sobre Ingrid Betancourt

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da Folha Online

A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Ingrid Betancourt, se encontrou nesta sexta-feira com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para agradecer a ajuda recebida para a sua libertação.

Três meses antes da operação militar colombiana que permitiu seu resgate após cerca de seis anos em cativeiro, o governo brasileiro pediu publicamente às Farc para libertar a ex-congressista por razões humanitárias. Lula apoiou um pedido no mesmo sentido feito então pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, o encontro com Lula foi solicitado diretamente à Presidência e não passou pelo Itamaraty. Nos últimos dias, Betancourt tem visitado alguns países da América do Sul, tendo ido a Lima e Argentina.

No último dia 28, Ingrid organizou uma manifestação nas principais cidades da Colômbia para pedir a liberdade dos seqüestrados antes do Natal. A passeata foi a quarta do ano e ocorreu em pelo menos 150 cidades, mas atraiu menos pessoas do que as anteriores.

Cronologia

Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares colombianos foram resgatados das Farc por tropas colombianas, no dia 2 de julho deste ano. O Exército da Colômbia realizou uma polêmica operação de resgate em que militares fingiram pertencer a um grupo humanitário que iria levar os reféns de helicóptero ao encontro do líder guerrilheiro Alfonso Cano. Durante o vôo, eles prenderam dois membros das Farc que acompanhavam o grupo e libertaram os seqüestrados.

Todos os reféns foram encontrados em estado de saúde razoavelmente bom após os anos que passaram na selva.

Andre Penner/AP
O presidente Lula cumprimenta Ingrid Betancourt em encontro em São Paulo
O presidente Lula cumprimenta Ingrid Betancourt em encontro em São Paulo

A ex-candidata à Presidência foi sequestrada em 23 de fevereiro de 2002 com a sua coordenadora de campanha, Clara Rojas, perto de San Vicente del Caguán, 740 km ao sudeste de Bogotá. O atual presidente, Alvaro Uribe, foi eleito no dia 7 de agosto prometendo uma política "linha dura" com a guerrilha.

Durante os anos em que esteve na selva, Ingrid gravou depoimentos em vídeo para demonstrar que estava viva, apesar das péssimas condições de saúde. No ano passado, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que não esqueceria da ex-candidata e pediu a libertação de outros reféns.

Os relatos de ex-reféns e uma carta enviada a sua mãe, Yolanda Pulecio, em novembro de 2007, mostraram que os guerrilheiros a submetiam a punições e humilhações constantes.

"Eles [os guerrilheiros] me tiraram tudo. Tento ficar silenciosa, falo o mínimo possível para evitar os problemas. Não tenho vontade de nada", escreveu Betancourt na última carta enviada a sua mãe.

No fim de 2007, o Exército prendeu um grupo de membros das Farc com documentos sobre a guerrilha, inclusive um vídeo que mostrava Betancourt magra e abatida na selva, ao lado de três norte-americanos.

Betancourt e os três norte-americanos libertados estavam entre os 44 reféns das Farc a serem trocados por prisioneiros da guerrilha. A franco-colombiana começou sua carreira política na Câmara dos Representantes, depois de ter distribuído camisinhas nas ruas de Bogotá com o slogan: "a corrupção é a Aids da nossa sociedade. Protejam-se".

Reféns

Cerca de 2.800 pessoas que foram seqüestradas entre 1996 e 2007 ainda permanecem cativas na Colômbia, de acordo com a fundação privada País Libre.

A entidade, que citou dados oficiais, afirmou que o maior número de reféns, mais de 700, está em poder da guerrilha das Farc.

 

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