Índia diz ter provas que implicam inteligência paquistanesa em ataques
da Folha Online
A Índia tem provas da implicação do serviço secreto do Paquistão (ISI) no planejamento do atentado da semana passada em Mumbai e no treinamento dos terroristas que o cometeram, segundo uma fonte da inteligência indiana. "Estamos totalmente convencidos de que o ISI está envolvido nos ataques a Mumbai", disse a fonte à agência Ians.
A revelação --feita simultaneamente pelas agências Ians e PTI e pela rede de televisão indiana NDTV-- atribui o atentado ao grupo Jamaat-ud-Dawa, sob o qual esconde-se o proibido Lashkar-e-Taiba, o qual até agora o governo apontou como responsável pelos ataques que deixaram 172 mortos e cerca de 300 feridos semana passada. Três dias após os atentados, o governo indiano chegou a informar a morte de 195 pessoas. No entanto, o número acabou revisado para baixo --ao menos 172, sendo 28 estrangeiros--, devido a informações repetidas fornecidas por hospitais.
| Arte/Folha Online |
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| Mapa Índia com Mumbai |
Fontes não identificadas citadas pela PTI afirmam que o governo indiano tem os nomes dos membros do ISI que treinaram os terroristas e dos lugares onde receberam instrução no Paquistão, e se "recusa a crer" que isso tivesse acontecido sem o conhecimento do Exército paquistanês.
A fonte de inteligência da Ians insistiu que a Índia entregará ao Paquistão, em breve, a lista com esses nomes, que está sendo preparada com a colaboração dos serviços secretos americanos.
A Índia dará ao Paquistão "uma quantidade de tempo razoável" para que aja em resposta a essa informação, acrescentou.
A versão da PTI destacou também que a Índia não acredita que o governo paquistanês esteja envolvido no ataque, mas que é "alvo" de um golpe terrorista que o Exército paquistanês poderia usar para aumentar a tensão com a Índia e voltar ao poder.
Exército do Paquistão
O governo de Yousaf Raza Gillani chegou ao poder em março deste ano após vencer nas eleições os partidos que apoiavam o general Pervez Musharraf, que renunciou em agosto após ter se retirado, no ano anterior, da Chefia do Exército.
| Emilio Morenatti/AP |
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| Paquistão sabe que deve agir, diz secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice |
Gillani e o presidente Asif Ali Zardari ofereceram à Índia toda colaboração para investigar o atentado de Mumbai, mas rejeitaram entregar os terroristas "foragidos" reivindicados pelo governo indiano, entre eles o chefe do LeT, Mohammed Said.
Após gestões da chefe da diplomacia americana, Condoleezza Rice, hoje em Islamabad, Zardari prometeu que o governo atuará contra qualquer "elemento" paquistanês que se demonstre culpado do atentado na capital financeira da Índia.
As autoridades paquistanesas afirmam que serão os tribunais do país que julgarão os supostos terroristas contra os quais a Índia entregar provas.
Os ataques terroristas de quarta-feira passada foram coordenados e atingiram as regiões mais nobres de Mumbai. Em três dos alvos --nos hotéis luxuosos Oberoi Trident e Taj Mahal Palace e no centro judaico Chabad Lubavitch-- eles mantiveram centenas de pessoas reféns. O resgate dos reféns terminou na sexta-feira, porém o cerco a um dos hotéis, o Taj Mahal, acabou apenas no sábado (29), com a morte de três terroristas.
Com Efe
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