Taxistas anunciam greve para o Natal contra 6.000 dispensas
THIAGO GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Buenos Aires
Taxistas de Buenos Aires anunciaram ontem que não vão trabalhar no Natal, em protesto contra a dispensa de 6.000 motoristas pelos donos das frotas.
A greve, prevista para os dias 24 e 25, pode se estender ao Réveillon caso não haja acordo com os patrões, informou o secretário-geral do sindicato dos choferes, Omar Viviani. Haverá tentativa de conciliação na quarta-feira, no Ministério do Trabalho.
Os donos de táxis decidiram nesta semana pela dispensa de 6.000 motoristas (24% do total de 25 mil da cidade) a partir de janeiro. Dizem que houve queda de 35% no faturamento desde julho e que não há como sustentar os encargos sociais e custos crescentes de manutenção.
"Hoje são 6.000 táxis parados na cidade por impossibilidade de contratar motoristas, e há donos de frota que estão vendendo um táxi por mês para pagar os custos", disse à Folha Jorge Celia, presidente da Sociedade de Proprietários de Táxis, que tem 5.000 afiliados.
A frota de táxis de Buenos Aires é de 38 mil veículos --a de São Paulo é de 32,2 mil. As tarifas também são mais baratas na capital argentina --uma corrida de dez quilômetros em bandeira 1 sai por R$ 21 em Buenos Aires e R$ 24,5 na capital paulista, sem contar a tarifa horária.
Segundo Celia, não há alternativa no momento às demissões. Ele disse que os empresários vão propor ao governo a criação de um fundo estatal para custear os gastos com encargos sociais. Viviani, o líder dos taxistas, se mostrou incrédulo. "Jamais neste governo nem nos anteriores o táxi foi considerado para ajuda [oficial]."
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