Mundo
05/12/2008 - 08h15

Fiel da balança, rei tailandês cala sobre crise

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da Folha de S.Paulo

O rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, não fez ontem seu tradicional discurso de véspera de aniversário. Uma infecção na garganta frustrou políticos e analistas, que esperavam dele uma posição sobre a crise que divide a monarquia parlamentarista e levou à queda de dois premiês desde setembro.

Coroado em 1950 e reverenciado no país asiático quase como uma divindade, Bhumibol, hoje 81, é o monarca há mais tempo em um trono no mundo.

Sukree Sukplang/Reuters/2.dez.2008
Rei tailandês cancela discurso e frustra políticos e súditos em meio a crise política
Rei tailandês cancela discurso e frustra políticos e súditos em meio a crise política

Ele já reinou sob 17 Constituições, viu 18 golpes de Estado e intercedeu anteriormente em disputas políticas --por isso, era esperado que exortasse à reconciliação a APD (Aliança Popular pela Democracia, grupo de raiz urbana que orquestrou violentos protestos de rua e a ocupação dos aeroportos de Bancoc) e o atual governo, cuja base de apoio é a massa rural.

Mas o discurso foi proferido pelo príncipe Maha Vajiralongkorn, 56, e não incluiu política.

Sem votação

O silêncio do rei não impediu articulações no Parlamento, onde deputados dos três partidos governistas extintos pela Justiça nesta semana sob acusação de compra de votos na eleição geral de 2007 negociaram a formação de uma nova sigla para comandar a coalizão.

O processo pode demorar. O presidente da Casa, Chai Chidchob, adiou a votação que escolherá o novo premiê, prevista para segunda, alegando que a medida "dará mais tempo para a reconciliação nacional". Não foi marcada nova data.

Até ontem, os nomes mais cotados para o cargo eram os de dois ministros do extinto PPP (Partido do Poder Popular), grupo político do ex-premiê Thaksin Shinawatra. Deposto no golpe militar de 2006, o milionário das telecomunicações é o pivô da crise atual.

Opositores acusam o governo democraticamente eleito há um ano de ser "fantoche" de Thaksin e ameaçam retomar os protestos se o próximo premiê adotar linha política similar.

A APD, por sua vez, é vista por analistas como uma coalizão formada pela elite urbana para reverter a ascensão de um governo cujas políticas basearam-se no assistencialismo e privilegiaram as pauperizadas zonas rurais do país. Ontem, entidades de defesa dos direitos humanos solicitaram uma investigação independente dos choques ocorridos desde maio, que resultaram em oito mortos e 737 feridos.

A Anistia Internacional e a Human Rights Watch alertaram para o risco de novos episódios sangrentos se o governo e a APD não resolverem suas diferenças de forma pacífica.

 

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