Mundo
05/12/2008 - 09h47

Rice pede que países africanos expulsem Mugabe do Zimbábue

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da Efe, em Copenhague

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu nesta sexta-feira aos países africanos que expulsem o presidente Robert Mugabe do Zimbábue, devido à catástrofe humanitária vivida no país.

"O tempo de Mugabe passou, tem que ir embora. O povo do Zimbábue já sofreu o suficiente. Mas os Estados Unidos não podem agir sozinhos e, sem a ajuda dos países da região, é difícil realizar uma ação justa", disse Rice, em entrevista coletiva com o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen.

Christian Als/Reuters
Condoleezza Rice pede expulsão de Mugabe, ao lado do dinamarquês Anders Fogh Rasmussen
Condoleezza Rice pede expulsão de Mugabe, ao lado do dinamarquês Anders Rasmussen

Rice disse que vários países africanos tinham se mostrado favoráveis a pressionar o Zimbábue, mas lamentou que outros tenham ficado calados, o que dificultou a saída de Mugabe, no poder desde 1980.

Rice culpou Mugabe por eleições "vergonhosas" nas quais ganhou com mais de 80% dos votos depois da saída do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, diante de atentados contra seus partidários e de denúncias de que os soldados do governo ameaçavam os eleitores.

A secretária de Estado americana, que acaba de deixar o Paquistão, após "[uma visita]": para amenizar a tensão entre Islamabad e Índia, ressaltou ainda que, apesar de sua oposição ao governo de Mugabe, os EUA não negarão ajuda ao povo zimbabuano.

Nesta quinta-feira (4), o governo do Zimbábue declarou estado de emergência nacional diante de um grave surto de cólera que já deixa 565 mortos e mais de 3.000 doentes no país. O governo apela para assistência internacional para combater a doença que já ameaça avançar pela fronteira com a África do Sul.

O governo de Mugabe, 84, argumenta que o sistema de saúde e a economia do país estão em colapso por causa das sanções impostas pelo ocidente como medida para encerrar os conflitos políticos. Segundo o governo, as medidas impediram que Mugabe tirasse milhares de fazendeiros brancos do país e redistribuísse as terras para negros.

Os críticos dizem que Mugabe arruinou a economia do Zimbábue com políticas irresponsáveis e falta de gerenciamento.

O primeiro-ministro Rasmussen mostrou apoio às palavras de Rice e ressaltou as coincidências entre a visão dos EUA e da União Européia (UE) nesta questão.

O Zimbábue está em meio a uma crise econômica desde que Mugabe realizou, em 2000, uma reforma agrária que destruiu a indústria agropecuária do país. A inflação descontrolada causou o desabastecimento e os preços dos poucos produtos existentes nos supermercados podem mudar várias vezes em apenas um dia, o que, junto com a rápida desvalorização do dólar zimbabuano, obriga a população a tirar o dinheiro do banco e usá-lo antes que perca todo seu valor.

A situação política também é instável, após o fracasso do acordo entre Mugabe e Tsvangirai para formar um governo de coalizão. Os dois assinaram um acordo de divisão do poder em 15 de setembro passado, mas até agora não conseguiram chegar a um consenso. A definição do novo governo, no qual Tsvangirai assume como primeiro-ministro e Mugabe fica como presidente, depende das disputas pelos 31 postos ministeriais.

O opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) acusa Mugabe e seu partido, o ZANU-PF, de tentar arrebatar todos os principais cargos. Tsvangirai disse na segunda-feira (1º) que a oposição mantém "resistência democrática pacífica".

Militar

Durante a visita, Rice e Rasmussen reiteraram ainda a necessidade do aumento de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, para evitar que o país volte a ser "um paraíso para terroristas", e lamentaram a morte ontem de dois soldados dinamarqueses em combate na Província de Helmand, no sul afegão.

Rasmussen e Rice explicaram a visita à Dinamarca como uma demonstração das estreitas relações bilaterais dos dois países, e esta destacou também a "amizade pessoal" do presidente americano, George W. Bush, com o líder dinamarquês, um dos mais firmes apoios dos EUA no exterior, principalmente na Guerra do Iraque.

No entanto, Rice não quis entrar nas especulações sobre uma hipotética candidatura de Rasmussen a ocupar a Secretaria-Geral da Otan em 2009, mas ressaltou que o dinamarquês é um "líder de verdade".

Rasmussen afirmou nesta quinta-feira (4) que não é candidato a nenhum posto internacional, mas a imprensa de seu país especula a possibilidade de que se candidate a um alto cargo na Otan ou na UE.

 

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