Rice pede que países africanos expulsem Mugabe do Zimbábue
da Efe, em Copenhague
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu nesta sexta-feira aos países africanos que expulsem o presidente Robert Mugabe do Zimbábue, devido à catástrofe humanitária vivida no país.
"O tempo de Mugabe passou, tem que ir embora. O povo do Zimbábue já sofreu o suficiente. Mas os Estados Unidos não podem agir sozinhos e, sem a ajuda dos países da região, é difícil realizar uma ação justa", disse Rice, em entrevista coletiva com o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen.
| Christian Als/Reuters |
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| Condoleezza Rice pede expulsão de Mugabe, ao lado do dinamarquês Anders Rasmussen |
Rice disse que vários países africanos tinham se mostrado favoráveis a pressionar o Zimbábue, mas lamentou que outros tenham ficado calados, o que dificultou a saída de Mugabe, no poder desde 1980.
Rice culpou Mugabe por eleições "vergonhosas" nas quais ganhou com mais de 80% dos votos depois da saída do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, diante de atentados contra seus partidários e de denúncias de que os soldados do governo ameaçavam os eleitores.
A secretária de Estado americana, que acaba de deixar o Paquistão, após "[uma visita]": para amenizar a tensão entre Islamabad e Índia, ressaltou ainda que, apesar de sua oposição ao governo de Mugabe, os EUA não negarão ajuda ao povo zimbabuano.
Nesta quinta-feira (4), o governo do Zimbábue declarou estado de emergência nacional diante de um grave surto de cólera que já deixa 565 mortos e mais de 3.000 doentes no país. O governo apela para assistência internacional para combater a doença que já ameaça avançar pela fronteira com a África do Sul.
O governo de Mugabe, 84, argumenta que o sistema de saúde e a economia do país estão em colapso por causa das sanções impostas pelo ocidente como medida para encerrar os conflitos políticos. Segundo o governo, as medidas impediram que Mugabe tirasse milhares de fazendeiros brancos do país e redistribuísse as terras para negros.
Os críticos dizem que Mugabe arruinou a economia do Zimbábue com políticas irresponsáveis e falta de gerenciamento.
O primeiro-ministro Rasmussen mostrou apoio às palavras de Rice e ressaltou as coincidências entre a visão dos EUA e da União Européia (UE) nesta questão.
O Zimbábue está em meio a uma crise econômica desde que Mugabe realizou, em 2000, uma reforma agrária que destruiu a indústria agropecuária do país. A inflação descontrolada causou o desabastecimento e os preços dos poucos produtos existentes nos supermercados podem mudar várias vezes em apenas um dia, o que, junto com a rápida desvalorização do dólar zimbabuano, obriga a população a tirar o dinheiro do banco e usá-lo antes que perca todo seu valor.
A situação política também é instável, após o fracasso do acordo entre Mugabe e Tsvangirai para formar um governo de coalizão. Os dois assinaram um acordo de divisão do poder em 15 de setembro passado, mas até agora não conseguiram chegar a um consenso. A definição do novo governo, no qual Tsvangirai assume como primeiro-ministro e Mugabe fica como presidente, depende das disputas pelos 31 postos ministeriais.
O opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) acusa Mugabe e seu partido, o ZANU-PF, de tentar arrebatar todos os principais cargos. Tsvangirai disse na segunda-feira (1º) que a oposição mantém "resistência democrática pacífica".
Militar
Durante a visita, Rice e Rasmussen reiteraram ainda a necessidade do aumento de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, para evitar que o país volte a ser "um paraíso para terroristas", e lamentaram a morte ontem de dois soldados dinamarqueses em combate na Província de Helmand, no sul afegão.
Rasmussen e Rice explicaram a visita à Dinamarca como uma demonstração das estreitas relações bilaterais dos dois países, e esta destacou também a "amizade pessoal" do presidente americano, George W. Bush, com o líder dinamarquês, um dos mais firmes apoios dos EUA no exterior, principalmente na Guerra do Iraque.
No entanto, Rice não quis entrar nas especulações sobre uma hipotética candidatura de Rasmussen a ocupar a Secretaria-Geral da Otan em 2009, mas ressaltou que o dinamarquês é um "líder de verdade".
Rasmussen afirmou nesta quinta-feira (4) que não é candidato a nenhum posto internacional, mas a imprensa de seu país especula a possibilidade de que se candidate a um alto cargo na Otan ou na UE.
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