Mundo
05/12/2008 - 18h02

Ingrid Betancourt descarta volta à política na Colômbia

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GISELLI SOUZA
colaboração para a Folha Online

A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt disse nesta sexta-feira que não pretende voltar à política na Colômbia e que pretende lançar um livro de memórias para contar as experiências vividas nos seis anos em que esteve presa na selva.

Leia a cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt
Leia o especial Libertação de Betancourt

Andre Penner/AP
O presidente Lula cumprimenta Ingrid Betancourt em encontro em São Paulo
O presidente Lula cumprimenta Ingrid Betancourt em encontro em São Paulo

"Eu ainda não tive tempo de pensar no que eu quero fazer, mas sei o que eu não quero. Eu não quero fazer parte da política colombiana. Ainda falta muito tempo para a política que eu sonho, com valores, venha a existir", disse Ingrid que afirmou ainda que "ficará fora de circuito por pelo menos seis meses para escrever um testemunho [livro de memórias]".

Ingrid Betancourt veio hoje ao Brasil para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agradecer o apoio recebido. Na ocasião, Betancourt chamou Lula de "irmão" e parabenizou o presidente por ter mostrado interesse na polêmica em torno da libertação dos reféns das Farc.

Durante o encontro, Ingrid entregou a Lula um documento do presidente da França, Nicolas Sarkozy, para firmar o compromisso de toda a Europa em ajudar na libertação dos reféns das Farc. Atualmente, cerca de 700 reféns estão em poder dos seqüestradores.

Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares colombianos foram resgatados das Farc por tropas colombianas, no dia 2 de julho deste ano. O Exército da Colômbia realizou uma polêmica operação de resgate em que militares fingiram pertencer a um grupo humanitário que iria levar os reféns de helicóptero ao encontro do líder guerrilheiro Alfonso Cano. Durante o vôo, eles prenderam dois membros das Farc que acompanhavam o grupo e libertaram os seqüestrados.

Sobre a participação do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, na libertação, Ingrid disse ter "muita gratidão", mas questionou a problemática social do país. " Não há uma resposta social ao problema da juventude que vive nessas zonas [próximas às Farc]. Eles precisam de uma oportunidade de trabalho digno e legal e quando não podem trabalhar dignamente [...] Eles têm recursos que são graves que são entrar na guerrilha, militarismo e narcotráfico", disse a ex-refém que cobrou do governo uma solução para a problemática.

Esquerda

Sobre a opinião dos presidentes latino-americanos em relação às Farc, Ingrid defendeu que a "simpatia" de alguns governos se devia ao fato da base do movimento ser revolucionária. No entanto, a ex-refém disse que houve uma "reflexão de todos os presidentes de esquerda de que para chegar ao poder, eles não precisariam seqüestrar e matar".

"O momento muda quando as Farc decidem atuar no narcotráfico e usar o seqüestro como uma forma de luta. Nesse momento se fratura a relação da comunidade latina com as Farc", disse Ingrid.

Antigo defensor das Farc, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recentemente esteve envolvido em uma polêmica em relação a inauguração de uma praça, em Caracas, com um busto em homenagem ao antigo líder e fundador do movimento, Manuel Marulanda. O ex-guerrilheiro morreu há seis meses, devido a um ataque cardíaco.

Sobre uma possível visita ao país de Chávez, Ingrid afirmou que "tem grande interesse, mas que sabe que o presidente tem uma agenda apertada e que não sabe se será possível recebê-la".

A ex-refém agradeceu as cartas de brasileiros enviadas durante o seqüestro, do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) por "nunca terem esquecido de mim" e resumiu o encontro com Lula hoje como "transcendental". Ingrid disse que pretende passar o próximo Natal com a família em um sítio.

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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