Mundo
06/12/2008 - 11h13

Amsterdã endurece regras e vai fechar parte dos prostíbulos e lojas de maconha

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da Folha Online

Autoridades da cidade de Amsterdã, na Holanda, anunciaram neste sábado que planejam fechar até metade dos famosos bordéis e cafés que vendem maconha no centro histórico da cidade, como parte de uma grande "operação limpeza".

O objetivo declarado é tirar o crime organizado da área, e a iniciativa está mirando empresas que "geram criminalidade", incluindo a prostituição, salões de jogos e "coffee shops", onde maconha é vendida abertamente.

"Penso que a nova realidade vai estar mais de acordo com a nossa imagem como um lugar louco e tolerante, em vez de uma zona franca para os criminosos", afirmou vereador Lodewijk Asscher, um dos principais promotores do plano.

O plano inclui reduzir o número de empresas que seriam relacionadas com a "decadência" do centro, incluindo, teatros de sexo, sex-shops, minissupermercados, salões de massagem e lojas de lembranças. Também estão na lista os lugares em que se oferecem "peep shows", performances eróticas vistas através de uma vitrine ou olho mágico.

As autoridades disseram que existem muitos desses estabelecimentos e que acreditam que alguns são usados para lavagem de dinheiro por traficantes de droga e de pessoas, que fornecem muitas das prostitutas da cidade.

Dos 482 prostíbulos que existem hoje, 240 devem permanecer abertos, prevê o projeto, que inclui medidas para os próximos dez anos. Quanto aos coffee shops, o objetivo é fechar metade dos 76 instalados no centro, o que representa uma redução de 17% no número desses estabelecimentos na cidade.

Asscher sublinhou que a cidade irá permanecer fiel à sua reputação libertária.

"Vai ser um lugar com 200 janelas (de prostituição) e 30 coffee shops, que você não pode encontrar em qualquer outro lugar do mundo --muito excitante, mas também com atrações culturais e você não terá que se envergonhar de dizer veio aqui", disse ele.

De acordo com o plano anunciado neste sábado, Amsterdã vai gastar entre 30 milhões e 40 milhões de euros (de R$ 95 milhões a R$ 127 milhões) para levar hotéis, restaurantes, galerias de arte e lojas para o centro. Também serão construídos novos estacionamentos subterrâneos, e alguns dos edifícios que ficarem vagos podem ser utilizados para aliviar a falta de moradias na cidade.

Amsterdã já tinha muitos planos para fechar bordéis e informou no mês passado que poderia fechar alguns cafés por toda a cidade, mas os planos anunciados neste sábado vão muito mais longe.

Asscher disse que a cidade iria usar várias técnicas para reformular a área, incluindo a mudança do tipo de permissão emitida para estabelecimentos na área, a compra de alguns negócios e a oferta de apoio para que outras lojas sejam "aperfeiçoadas".

No passado, a cidade fechou vários prostíbulos e clubes de sexo, contando principalmente com uma lei que permite o fechamento de empresas com registros irregulares.

O vereador disse que a cidade vai oferecer também ajuda para as prostitutas e funcionários de coffee shops que perderem seus empregos devido ao plano.

A prostituição, que se espalhou por várias áreas do centro, será permitida apenas em duas áreas, uma delas, "De Wallen" (As Paredes), uma teia de ruas e ruelas medievais da cidade em torno das paredes da represa medieval da cidade. A área tem sido um centro de prostituição desde antes da época de ouro da navegação, no século 17.

A prostituição foi legalizada na Holanda em 2000, formalizando uma longa política de tolerância. A maconha é tecnicamente ilegal no país, mas procuradores não dão queixa pela posse de pequenas quantidades e os cafés podem de vendê-la abertamente.

Com Associated Press e France Press

 

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