Mundo
07/12/2008 - 11h37

Comunidade judaica homenageia vítimas de Mumbai neste domingo em SP

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MÁRCIA SOMAN MORAES
da Folha Online

A comunidade judaica brasileira faz neste domingo, na capital paulista, um evento em homenagem às 172 vítimas, incluindo seis judeus, dos atentados terroristas da semana passada, em Mumbai, centro financeiro da Índia.

O evento, organizado em conjunto pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e as entidades Chabad Lubavitch, acontece às 19h30 deste domingo, no Buffet França, localizado na avenida Angélica, 750.

"Todos ficaram terrivelmente chocados com a brutalidade que estes terroristas usaram contra as vítimas. Contudo, fomos ensinados pela religião judaica que devemos começar a reconstruir a partir de toda destruição. Nós não desistimos", disse o rabino Leibl Groner, que veio de Israel para participar do evento, em entrevista por telefone à Folha Online.

As ações terroristas coordenadas, levada a cabo no último dia 26, em Mumbai, concentraram-se em regiões nobres da cidade e incluíram o Chabad Lubavitch, centro judaico no qual o rabino americano Gavriel Holtzberg e sua mulher, Rivka, foram mortos. O filho deles, Moshe, de apenas dois anos, foi salvo pela babá que conseguiu escapar durante as várias horas em que os terroristas fizeram os ocupantes do local de reféns.

AP
Site do Chabad confirma morte de rabino e mulher nos ataques em Mumbai, na Índia
O rabino americano Gavriel Holtzberg e sua mulher, Rivka, foram mortos nos ataques

Um ataque que a comunidade judaica compreendeu como uma ação direta contra os judeus. "Nós temos informação dos investigadores indianos de que, cerca de um mês antes destes ataques, eles visitaram o lugar, fizeram investigações fora e dentro do prédio. O ataque foi planejado diretamente contra os judeus", disse o rabino Leibl, ressaltando, contudo, que a comunidade não teme novos ataques.

"Eles [os cerca de 5.000 judeus em Mumbai, que tem 18 milhões de habitantes] se sentem mais fortes. Eles ampliaram as medidas de segurança, mas agora estão mais fortes em seu propósito. Nós não podemos nos sentir ameaçados por este tipo de ataque, o povo judeu não se deixa ameaçar", disse o rabino.

Para Richard Sideman, presidente do Comitê Judaico Americano, os ataques a Chabad em Mumbai pedem mais cautela do povo judeu. "Toda organização judaica tem que revisar sua segurança. Pedimos que toda comunidade judaica, seja pequena ou isolada, perca seu senso de conforto e ache modos de se proteger", disse.

Ele conta que a comunidade judaica americana acompanhou minuto a minuto as tensas horas em que a Chabad foi mantida sob o controle dos terroristas e que recebeu com choque e perplexidade a notícia da morte do rabino Holtzberg.

"Nenhum de nós pensou que um lugar de promoção da paz, de hospitalidade, seria o alvo de um ataque terrorista. Estes ataques foram assustadores por sua aleatoriedade e impõem uma ameaça à segurança de todos os cidadãos do mundo. Pessoas são mortas por nenhum outro propósito a não ser a morte de inocentes", disse Sideman, que preside entidade internacional de promoção da causa judaica.

O sentimento de choque marcou também a comunidade judaica brasileira. "Presenciamos um ataque organizado, planejado, financiado. Quando pessoas são mortas dessa forma, ficamos chocados", disse Boris Ber, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

Para Ber, os judeus brasileiros, contudo, não devem temer ataques, já que o Brasil não é alvo tradicional dos grupos radicais. "Nós não devemos ter temor, devemos nos preocupar, observar normas de segurança. Mas obviamente causa um sentimento de grande desconforto".

 

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