Sindicatos gregos fazem greve geral; governo teme mais violência
da Folha Online
Uma greve geral organizada pelos principais sindicatos da Grécia fechou bancos, escolas, transporte público e restringiu os serviços dos hospitais nesta quarta-feira, aumentando a pressão sobre o conservador primeiro-ministro, Costas Caramanlis.
A Grécia amanheceu em calma nesta quarta-feira, depois de confrontos limitados em Atenas e Salônica entre jovens e as forças de segurança, informaram fontes policiais. Contudo, o governo teme novas ondas de protesto e violência em um movimento iniciado após a morte de um jovem baleado e morto por um policial no sábado (6) em Atenas.
Atenas e as principais cidades gregas são palco de manifestações que tinham sido convocadas antes da onda de violência no país. As manifestações foram organizadas pelos sindicatos GSEE e ADEDY, que representam mais de 2 milhões de pessoas.
Um porta-voz do GSEE disse à imprensa que "sob estas circunstâncias, não era possível permanecer em casa".
O transporte público ficou horas interrompido, os navios suspenderam seus percursos e os aeroportos permaneceram fechados pela participação no protesto dos controladores aéreos, o que provocou o cancelamento de cerca de cem vôos.
Os trabalhadores foram às ruas do centro de Atenas gritando slogans antigoverno. "Participação na greve é total, o pais chegou a um ponto decisivo", disse Stathis Anestis, porta-voz da GSEE.
Protestos
O assassinato do jovem Andreas Grigoropulos, 15, levou a dias de violentos protestos contra a ação polícia e que logo se transformaram em uma manifestação contra o governo de Caramanlis. A morte aconteceu às 21h deste sábado (6) (16h, no horário de Brasília), em Atenas. De acordo com a polícia, Grigoropulos foi atingido por três tiros dados pelo policial Epaminondas Korkoneas, 37, quando, com outros 30 jovens, atirava pedras e outros objetos contra um carro da polícia.
Durante a madrugada desta quarta-feira foram registrados enfrentamentos nos arredores da Politécnica de Atenas, onde um grupo se refugiou. Mais de cem pessoas foram detidas durante a noite acusadas de gerar distúrbios, e comparecerão à Justiça nas próximas horas, em sua maioria com acusações de roubo e saque.
Uma agência dos correios, um banco e uma agência de turismo foram atingidos pelos manifestantes no centro da capital.
No porto de Patras, grupos de manifestantes foram agredidos por cidadãos enfurecidos pela destruição de suas lojas.
Em Salônica foram registrados distúrbios em frente à sede do Ministério da Macedônia e Trácia, onde a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar.
Com Efe, Reuters e France Presse
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