Mundo
11/12/2008 - 16h04

Protestos de jovens na Grécia se espalham pela Europa

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da Folha Online

Os protestos realizados há seis dias na Grécia pelo assassinato de Alexis Grigoropoulos, 15, por um policial, se espalharam pela Europa. Nesta quinta-feira, houve depredação contra lojas e confrontos com policiais na Espanha e na Dinamarca. Na França, carros foram incendiados diante do Consulado da Grécia, em Bordeaux.

Na Itália, houve protestos em Nápoles e Veneza, nesta terça-feira (9). Na quarta-feira (10), os protestos ocorreram diante da Embaixada da Grécia, na capital Roma. Na Alemanha, as manifestações começaram ainda antes, na segunda-feira (8), quando 15 jovens com roupas pretas ocuparam o Consulado da Grécia em Berlim. No dia seguinte, cerca de cem fizeram um protesto em frente ao Consulado da Grécia em Frankfurt.

Gregorio Borgia/AP
Jovens levam foto de jovem grego morto a protesto na Embaixada da Grécia em Roma
Jovens levam foto de jovem grego morto a protesto na Embaixada da Grécia em Roma

O porta-voz do Ministério de Interior da França, Gerard Gachet, disse que as manifestações "provam que a esquerda extremista existe, contrariando dúvidas de alguns, nos últimos anos". "Neste momento, não podemos estender nossas conclusões e dizer que há risco de contágio da Grécia para a França, mas tudo está sendo observado", disse à agência Associated Press.

"Estamos encorajando atos de não-violência aqui e no exterior", disse Konstantinos Sakkas, 23, em um dos sites usados por simpatizantes dos protestos gregos. "O que tem acontecido são manifestações de solidariedade."

Na Espanha, na noite desta quarta-feira (10), cerca de 200 jovens realizaram uma marcha, no centro de Madri, sob gritos de "policiais assassinos". Uma base policial foi apedrejada, e janelas de prédios vizinhos acabaram quebradas. Mais tarde, um banco também foi atacado. No total, ao menos nove jovens foram presos. Em Barcelona, outro grupo de jovens realizou uma marcha e atacou a fachada de um banco. Dois foram presos. O jornal "La Vanguardia" disse que o protesto foi organizado na internet.

Victor R. Caivano/AP
Jovens carregam um caixão com os dizeres "universidade pública" em protesto em Madri
Jovens carregam um caixão com os dizeres "universidade pública" em protesto em Madri

Na Dinamarca, manifestantes enfrentaram policiais com garrafas e tintas em Copenhague, também na noite de quarta-feira. No total, 63 foram detidos e libertados horas mais tarde.

Em Bordeaux, manifestantes incendiaram dois carros e uma lata de lixo diante do consulado e pichou o prédio com os dizeres "solidariedade aos incêndios na Grécia, a revolução chegará". "Foi um incêndio muito, muito intenso", disse o cônsul grego Michel Corfias. "O que ocorre na Grécia é um pretexto, na minha opinião. Foi o gatilho."

Em Nápoles, o protesto em frente ao consulado grego mobilizou o vice-cônsul Evangelos Vanvakinos, que foi dialogar com os jovens. "Tenho um filho da mesma idade de Alexis e devo afirmar que é devastaste para uma família ver morrer um filho deste modo", disse. "Mas a Grécia é um país tranqüilo e estas ações de violência não costumam acontecer."

Em Veneza, o Centro de Cultura Helênica suspendeu suas atividades depois de jovens terem pichado "assassinos" na bandeira grega que há no prédio. O porta-voz do grupo que atacou o prédio, Michele Valentini, disse à agência de notícias Ansa que a iniciativa "é uma resposta à política repressiva do governo grego".

Grécia

Nesta quinta-feira, sexto dia de manifestações, estudantes atacaram 20 bases policiais com pedras e garrafas, viraram carros e bloquearam ruas do centro de Atenas. Policiais, então, responderam novamente com bombas de gás lacrimogêneo. Desde sábado (6), pelo menos 70 pessoas ficaram feridas e cerca de cem foram presas.

Centenas de lojas já foram alvos de vandalismo. Os danos já somam 200 milhões de euros (R$ 630,7 milhões).

Com Associated Press, Reuters e Ansa

 

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