Mundo
11/12/2008 - 18h30

Centro de Atenas permanece fechado; ouça brasileira na Grécia

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GISELLI SOUZA
colaboração para a Folha Online

O centro da cidade de Atenas permanece fechado no sexto dia de confrontos entre manifestantes e a polícia grega, relata a brasileira Alexandra Bastos, à Folha Online, de Atenas. Desde a morte de Alexis Grigoropoulos, 15, por um policial, no último sábado (6), a cidade vive uma onde de protestos.

Ouça o relato da brasileira

leitor:Andrea Motta
Ontem, policiais entraram em confronto com manifestantes nas principais ruas de Atenas
Ontem, policiais entraram em confronto com manifestantes nas principais ruas de Atenas

"Eles estão mantendo o centro fechado, então ninguém tema acesso, só se você for à pé. Eles estão esperando uma decisão política, eles querem que o chefe [da polícia] saia do cargo", disse Alexandra, por telefone. A brasileira disse ainda que a onda de protestos diminuiu hoje, apenas em alguns pontos isolados na cidade.

"O metrô e as linhas de ônibus voltaram ao normal. Aos poucos as pessoas vão retomando a rotina na cidade. Não existe nenhuma movimentação em torno de novos protestos para hoje. A expectativa é que tenha algum desfecho político", disse a brasileira.

Segundo Alexandra, o governo prometeu hoje liberar empréstimos para ajudar a população afetada com a onda de protestos. Segundo estimativas, os danos causados já somam 200 milhões de euros (R$ 630,7 milhões). "O governo disse que vai liberar empréstimos para ajudar as pessoas que foram prejudicadas com os protestos e ajudar os funcionários que estão sem trabalhar", disse Alexandra.

leitor:Andrea Motta
Manifestantes que tiveram os estabelecimentos depredados receberão ajuda do governo
Manifestantes que tiveram os estabelecimentos depredados receberão ajuda do governo

De acordo com estimativas, 435 estabelecimentos foram depredados somente em Atenas. Do total, 32 foram completamente destruídos pelos manifestantes. Entre os estabelecimentos danificados, há 16 filiais de bancos e supermercados e 40 lojas de departamentos.

Assassinato

De acordo com autoridades, Alexis foi atingido por três tiros dados pelo policial Epaminondas Korkoneas, 37, quando, ao lado do seu parceiro Vasilis Saraliotis, se "defendeu" de outros 30 jovens, que atiravam pedras e outros objetos contra um carro da polícia no último sábado.

Ontem, um juiz de Atenas decretou a prisão preventiva dos dois policiais, que permanecerão sob custódia até serem julgados pelo crime. A decisão da Justiça grega foi tomada depois que os advogados de defesa dos policiais afirmaram que os primeiros dados da investigação indicam que a bala que matou o adolescente ricocheteou antes de atingir seu coração.

A família de Grigoropoulos anunciou que pedirá a um especialista que estude essa prova pericial, cujo conteúdo ainda não é oficial. Os dois policiais testemunharam ao juiz do caso, a quem reafirmaram que não tiveram a intenção de matar o menor.

Crise

Hoje, reportagem do jornal "Telegraphy" informa que o primeiro-ministro Costas Karamanlis prometeu uma ajuda para cobrir os danos causados pelos manifestantes. Segundo o jornal, uma pesquisa de opinião divulgada ontem revelou que 68% da população reprova o programa governamental de manipulação da crise.

"Mesmo antes dos protestos, o governo grego já estava enfrentando descontentamento público sobre o estado da economia, as pobres perspectivas de emprego para estudantes e uma série de escândalos financeiros", informa o jornal.

Europa

Desde de ontem a Europa vive também uma onda de protestos motivada pela morte de adolescente por um policial na Grécia. Hoje, houve depredação contra lojas e confrontos com policiais na Espanha e na Dinamarca. Na França, carros foram incendiados diante do Consulado da Grécia, em Bordeaux.

Na Itália, houve protestos em Nápoles e Veneza, na última terça-feira (9). Ontem, os protestos ocorreram diante da Embaixada da Grécia, na capital Roma. Na Alemanha, as manifestações começaram ainda antes, na segunda-feira (8), quando 15 jovens com roupas pretas ocuparam o Consulado da Grécia em Berlim. No dia seguinte, cerca de cem fizeram um protesto em frente ao Consulado da Grécia em Frankfurt.

 

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