Júri de inquérito público do caso Jean Charles dá veredicto inconclusivo
da Folha Online
Atualizado às 12h26.
Os cinco homens e cinco mulheres que integram o júri do inquérito público que o Reino Unido realiza sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes --assassinado em um metrô de Londres em 2005-- deram o seu veredicto nesta sexta-feira. Os jurados descartaram a opção de homicídio involuntário e decidiram por um veredicto inconcluso.
Os jurados debateram durante sete dias sobre o veredicto depois de terem sido advertidos pelo juiz Michael Wright de que não podiam dar um veredicto de homicídio por imprudência, que equivaleria ao assassinato. Desta forma, eles podiam escolher somente entre homicídio involuntário e veredicto inconcluso. Ficaram com a segunda opção.
Não há confirmação sobre os desdobramentos da decisão. O inquérito público do caso --igual ao realizado para esclarecer a morte da princesa Diana-- não constitui um julgamento, já que não é um processo. Por isso, nenhuma condenação é pronunciada. Esse tipo de investigação, porém, pode servir de base para outros passos legais.
| Akira Suemori/AP |
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| Familiares de Jean Charles protestaram contra a restrição de veredicto do juiz |
Com o veredicto, os jurados descartaram a argumentação da Scotland Yard (polícia britânica) de que Jean Charles foi morto durante uma operação antiterrorista; e o depoimento do oficial que atirou no rapaz e afirmou ter agido em defesa própria. Os jurados entenderam que esse oficial não emitiu nenhum alerta a Jean Charles, antes de atirar.
O inquérito --realizado em um campo de críquete-- ouviu cerca de cem testemunhas, de acordo com reportagem do jornal britânico "The Guardian".
O chefe interino da Scotland Yard, Paul Stephenson, disse nesta sexta-feira que os policiais britânicos devem aceitar que têm "plena responsabilidade" sobre o assassinado do brasileiro. "A morte de Jean Charles foi uma tragédia. Era um homem inocente."
Histórico
Jean Charles foi morto por policiais em 22 de julho de 2005, com sete tiros na cabeça, na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres, ao ser confundido com o terrorista Hussain Osman. O crime ocorreu um dia após os atentados fracassados ao sistema de transportes londrino, e duas semanas após os ataques que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos na capital inglesa.
Policiais vestidos à paisana confundiram Jean Charles com Osman, o perseguiram nas ruas, entraram com ele em um ônibus e depois no metrô, onde o mataram dentro de um vagão, na frente de dezenas de passageiros.
Dos 65 agentes da Scotland Yard que prestaram depoimento na investigação judicial, 49 falaram protegidos por cortinas negras --entre eles, os dois agentes que atiraram contra Jean Charles no metrô, identificados apenas como Charlie 2 e Charlie 12.
Com Efe e France Presse
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