Mulher de governador acusado de corrupção não poderá depor na Justiça
colaboração para a Folha Online
Patricia Blagojevich, mulher do governador de Illinois, Rod Blagojevich, não poderá depor contra o marido na Justiça, informou nesta sexta-feira a rede de TV americana Fox.
Entenda o escândalo de corrupção envolvendo o governador
| Tannen Maury/Efe |
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| Rod Blagojevich á acusado de tentar negociar a vaga de Obama no Senado; governador de Illinois insiste em continuar no cargo |
Patricia é mencionada nos documentos formulados pelo FBI (polícia federal americana) que mostram a existência de suborno e extorsão na negociação da vaga deixada pelo presidente eleito, Barack Obama, no Senado. O articulador da operação seria o marido e governador, Rod Blagojevich. As investigações apontam que a mulher do governador poderia ser beneficiada financeiramente com a "venda" da cadeira.
De acordo com a emissora, uma brecha na lei americana proíbe que Patricia testemunhe contra o marido. O "privilégio conjugal" é mantido desde que Rod não se divorcie. Dessa forma, os advogados alertaram Rod para não se separar de Patricia em "hipótese alguma".
A lei é datada de 1960 e permite que a primeira-dama se mantenha afastada das investigações contra o marido. Blagojevich foi preso nesta semana junto com o chefe de gabinete John Harris e solto no mesmo dia, mediante pagamento de fiança.
"A lei de Illinois protege Patricia de testemunhar contra o marido e falar sobre qualquer conversa que os dois tenham tido durante o casamento", informa a Fox. O segredo respaldado pela lei também é válido para conversas que Rod tenha tido com algum padre.
"Patricia não poderá ser obrigada a depor contra o governador, sem o seu consentimento. Dessa forma, ela não será aproveitada pela acusação", disse o juiz Andrew Napolitano, analista entrevistado pela Fox News.
Corrupção
Hoje, a procuradora-geral do Estado americano de Illinois, Lisa Madigan, pediu para que a Corte Suprema do Estado declarasse Rod deficiente para suas funções, o que levaria à destituição do governador.
Por meio de grampos telefônicos, o FBI (polícia federal americana) formulou um documento de 76 páginas com diversas acusações contra o governador. Nessas gravações, teria ficado claro a suposta conspiração para "vender ou trocar" a cadeira do Senado, por "benefícios financeiros ou de outro tipo", para o próprio governador ou para a mulher Patricia.
Em um dos grampos, feitos em 4 de dezembro, Blagojevich teria dito a um assessor que poderia "obter algum dinheiro" do candidato número 5 ao Senado. Um dia antes, esse suposto candidato, não identificado, teria prometido arrecadar até US$ 500 mil para a campanha do governador, se esse decidisse tentar uma segunda reeleição.
O deputado democrata Jesse Jackson Jr., do Estado americano de Illinois, é apontado como o nome por trás do "candidato 5". Jackson negou participação no caso e disse que se encontrou apenas uma vez com o governador. O democrata é filho do reverendo e ativista político Jesse Jackson, pré-candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata em 1984 e em 1988.
Com Efe, Reuters e Fox News
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