Mundo
14/12/2008 - 11h48

Vendas de armas nos EUA crescem com temor de nova proibição em governo de Obama

Publicidade

da Folha Online

A eleição de Barack Obama para a Presidência dos EUA tem elevado as vendas de armas de assalto e munição no país, devido ao temor entre os proprietários dessas armas de que a nova administração venha a impor uma proibição como a adotada em 1994 pelo então presidente americano Bill Clinton (1993-2001), e que não foi renovada em 2004, segundo reportagem no site do diário americano "Lexington Herald-Leader", do Estado do Kentucky.

"[Os consumidores] têm medo de que Obama imporá a proibição de Clinton de novo", disse o proprietário da loja de armas e de penhores J.T.'s,. Segundo ele, as vendas da loja passaram de US$ 15 mil em novembro do ano passado para US$ 50 mil no mesmo mês deste ano. "É uma loucura. Antes vendíamos uma caixa de munição [por pessoa], agora vendemos um lote."

Segundo dados do FBI, a Polícia Federal americana, os pedidos de checagem do histórico criminal de consumidores interessados em adquirir armas em todo o país cresceu 41% entre 1º e 23 de novembro deste ano, na comparação com novembro de 2007, e cresceu 49% na semana da eleição --realizada no dia 4 do mês passado-- na mesma comparação, diz a reportagem.

A proibição durante o governo Clinton foi imposta sobre armas pequenas de alta potência e armas de assalto semi-automáticas, e se tornou lei em 1994. Em 2004 a lei expirou e não foi renovada pelo presidente George W. Bush.

Obama disse recentemente que não irá confiscar armas. "Acredito nas leis do senso comum de segurança sobre armas e acredito na Segunda Emenda [da Constituição americana]", que fundamenta o direito dos americanos de portar armas, disse Obama, no último dia 7. "Por isso, quem possui armas legalmente nada tem a temer. Eu disse isso ao longo de minha campanha. Não indiquei nada de diferente durante a transição. Acho que as pessoas podem confiar na minha palavra."

Mesmo assim, a NRA (National Rifle Association), principal organização americana de defesa do porte de armas, declara não estar ainda convencida com as palavras do presidente eleito. "Os proprietários de armas em todo o país observaram não apenas a retórica da campanha do presidente eleito, mas seus votos, posições e declarações durante seu mandato como senador por Illinois", disse na sexta-feira a porta-voz da NRA, Ashley Varner, segundo a reportagem.

O proprietário da loja Gilbert's Gun Shop, em Frankfort (Kentucky), Jason Gilbert, disse que seus clientes têm manifestado preocupação sobre a posição de Obama na questão do porte de armas. "Eles têm dado uma boa olhada em seu histórico e vêem, que ele não apóia a Segunda Emenda", disse.

Outro proprietário de loja de armas no Kentucky ouvido pela reportagem do "Lexington Herald-Leader", Jay Evans, disse que a procura pelo curso de tiro e manuseio de armas que oferece em seu estabelecimento cresceu em 25% desde a eleição. "[As pessoas] estão se perguntando se a disponibilidade de armas vai ser restringida no futuro", disse.

Na loja de Joe Neikirk, também ouvido pelo jornal, as vendas em novembro cresceram 113% na comparação com o registrado um ano antes e, até o momento neste mês a demanda está acima do normal para as vendas de fim de ano. No entanto, mesmo com o aumento acima do normal em novembro, as vendas vêm crescendo desde janeiro deste ano.

Em Illinois, Estado pelo qual Obama foi senador, a venda de armas também cresceu. Um representante da Midwest Guns & Pistol Range, em Lyons (norte do Estado, perto de Chicago), disse que as vendas cresceram entre 25% e 30% desde a eleição de Obama, devido ao temor de uma nova proibição.

Uma vendedora da Freddie Bear Sports, em Tinley Park (também próxima a Chicago), disse ao diário "Chicago Sun-Times" que a procura aumentou principalmente por armas como o fuzil AK-47 e outros rifles de assalto.

A polícia do Estado de Illinois informou, segundo o "Chicago Sun-Times", que realizou 24.076 checagens sobre antecedentes criminais de compradores de armas no mês passado, um aumento de 39% em relação a novembro de 2007. Em novembro de 2006 foram feitas 17.249 checagens, segundo a reportagem.

Já o vendedor John Sikorski, da JR Shooting Sports, disse ao jornal que é difícil dizer o quanto do aumento das vendas em novembro pode estar ligado a preocupações sobre a eleição de Obama e o quanto se deve ao fato de já ter começado a temporada de caça esportiva no Estado. Mas ele acrescentou que os clientes têm manifestado preocupação quanto a uma nova proibição. "Eu mesmo estou preocupado com isso", afirmou.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca