Gaza fica às escuras após celebração de aniversário do Hamas
da Efe, em Gaza
Grande parte da faixa de Gaza ficou sem energia elétrica neste domingo pouco depois de milhares de palestinos celebrarem o 21o aniversário da criação do movimento radical islâmico Hamas, que controla o território. O blecaute, que afeta 80% dos lares em Gaza, onde vivem 1,5 milhão de palestinos, foi causado pela falta de combustível na única usina elétrica da região.
A escassez é conseqüência de um bloqueio imposto por Israel após o acirramento de confrontos entre forças israelenses e palestinos desde o início do mês passado. Estimativas apontam que cerca de 1milhão de habitantes poderiam estar sem eletricidade na noite deste domingo.
Gaza consome a eletricidade produzida nesta única usina, que é também abastecida por uma linha de alta tensão de Israel que chega do norte. Conforme o subdiretor da usina, Kanaan Uneid, também diminuiu nas últimas horas a energia que chega de Israel.
Nos últimos três dias, Israel não permitiu a entrada de combustível, em resposta aos foguetes disparados a partir da faixa de Gaza, uma política que aplica desde que uma trégua entre o governo israelense e o Hamas entrou em vigor, em junho deste ano.
Em geral, as passagens são reabertas após 24 horas de calma e fechadas pelo mesmo período se alguma das milícias disparar algum foguete.
Aniversário
Pouco antes do blecaute, milhares de palestinos celebraram em uma praça o 21o aniversário da fundação do movimento. Também neste domingo, o chefe do movimento no exílio, Khaled Meshaal, anunciou de Damasco, na Síria, que a trégua com Israel não deverá ser renovada.
Mais de 350 mil palestinos, segundo os organizadores, se concentraram para expressar seu apoio a um movimento que foi criado no início da primeira Intifada, em 1987, como extensão dos Irmãos Muçulmanos do Egito.
O movimento islâmico contou a princípio com certo apoio de Israel, que viu nele um contrapeso às aspirações nacionalistas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Rapidamente, porém, o Hamas começou a atacar alvos israelenses, e a ganhar ainda mais força a partir da Intifada de Al Aqsa, que teve início em 2000.
Na sociedade palestina, o movimento soube conquistar o apoio da população com programas sociais típicos de um Estado estabelecido e emergir como alternativa política em 2006, após uma onda crescente de corrupção dentro da Autoridade Nacional Palestina (ANP).
Naquele ano, o Hamas ganhou as eleições com grande vantagem sobre o movimento nacionalista e secular Fatah, ao qual um ano depois expulsaria de Gaza em meio a uma severa crise governamental e institucional.
Trégua
Desde junho de 2007, o Hamas governa com exclusividade o território de Gaza, que está sob o bloqueio de Israel e do Egito, e cuja população se vê constantemente castigada pelos intermináveis enfrentamentos armados entre as milícias e o Exército israelense.
No último dia 19 de junho, as duas partes chegaram a um acordo de trégua de seis meses com a mediação do Egito, que agora está ameaçada não apenas pelos constantes ataques contra Israel, mas também pelas divergências entre os líderes locais, liderados por Ismail Haniyeh, e os que estão no exílio.
Uma pesquisa realizada no fim de semana por um órgão independente reflete que 74% de um total de 1.270 pessoas indagadas na Cisjordânia e em Gaza são a favor do cessar-fogo, enquanto apenas 23% se opõem.
Aiman Taha, porta-voz do Hamas em Gaza, esclareceu que ainda não há uma decisão e que antes de tomá-la, o movimento islâmico se consultará com todas as facções.
Leia mais
- Hamas anuncia que trégua em Gaza não será renovada
- Hamas celebra 21º aniversário com discurso de premiê deposto
- Entenda a disputa pela terra entre palestinos e israelenses
Leia mais
- Conselho da ONU cobra providências de Israel em prol dos direitos humanos
- Israel anuncia que libertará 227 presos palestinos nesta segunda-feira
- Bush diz que sua política no Oriente Médio não saiu como o previsto
Especial
Livraria

