Mundo
15/12/2008 - 14h12

Premiê paquistanês diz que o país está pronto para guerra contra a Índia

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da Folha Online

O premiê paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse nesta segunda-feira que Islamabad não quer guerra com nenhum país, mas que está pronto para reagir caso um conflito "seja imposto". A declaração foi uma resposta à pressão da vizinha Índia para que o governo paquistanês detenha os terroristas envolvidos com os atentados em Mumbai, que deixaram 172 mortos.

"Não queremos guerra com nenhum país, mas se a guerra nos for imposta, então estamos totalmente preparados para ela. Nosso Exército é completamente capaz", disse o premiê em declarações ao Parlamento, retransmitidas pelos canais locais de TV.

Nesta segunda-feira, a rede de televisão americana CNN publicou reportagem em seu site na qual afirma, citando fontes do Pentágono, que a Índia iniciou preparativos para um ataque aéreo contra Paquistão, logo após os ataques em Mumbai.

Os ataques foram assumidos por um grupo terrorista desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, segundo os investigadores indianos, citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, teriam sido treinados pelo Lashkar e Taiba, grupo separatista com sede no Paquistão.

As duas potências nucleares já se enfrentaram em três guerras desde a independência de ambos do Reino Unido, em 1947 e os ataques apenas acirraram a rivalidade entre os países.

Guilani ressaltou, contudo, que "Paquistão é um Estado nuclear responsável" e que em nenhum caso será o primeiro a utilizar seu arsenal atômico.

Provas

O premiê repetiu o discurso do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, de que o governo indiano precisa apresentar provas efetivas do envolvimento de cidadãos paquistaneses nos ataques.

Guilani lembrou ainda que o Paquistão lançou uma operação contra a associação beneficente e educativa Jamaat-ud-Dawa (JuD), suspeita de ser uma fachada do grupo caxemiriano Lashkar e Taiba.

"Fechamos suas sedes e congelamos seus ativos bancários após a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas" --que incluiu a organização na lista negra de suspeitos vinculados ao terrorismo internacional.

Compromisso

Guilani reiterou ainda o compromisso do Paquistão de que seu "território não seja utilizado por terroristas", mas rejeitou qualquer ajuda estrangeira --um recado aos Estados Unidos, que criticam Islamabad por não conter o crescimento dos terroristas na fronteira com o Afeganistão.

"Não precisamos de ajuda estrangeira para investigar, somos capazes de fazer nós mesmos", disse.

Com Efe

 

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