Índia descarta atacar o Paquistão, mas diz que processo de paz está congelado
da Folha Online
O ministro da Defesa da Índia, A. K. Antony, descartou nesta terça-feira uma ação militar contra o Paquistão mas afirmou que as relações diplomáticas entre os dois países só serão retomadas após ação do governo paquistanês contra os terroristas que utilizam seu território para atacar os indianos.
Já o ministro indiano das Relações Exteriores, Pranab Mujerjee, afirmou que o processo de paz entre os dois países, retomado em 2004, está congelado desde os atentados terroristas do último dia 26, em Mumbai, que deixaram 172 mortos.
A declaração do ministro vem um dia após o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, dizer que Islamabad está pronto para reagir caso uma guerra "seja imposta" pelo governo indiano.
As duas potências nucleares já se enfrentaram em três guerras desde a independência de ambos do Reino Unido, em 1947. Desde os atentados do último dia 26, em Mumbai, centro financeiro da Índia, os dois países vivem uma relação diplomática ainda mais tensa marcada por troca de acusações.
Os ataques, que deixaram 172 mortos, foram assumidos por um grupo terrorista desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, segundo os investigadores indianos, citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, teriam sido treinados pelo Lashkar-e-Taiba, grupo separatista com sede no Paquistão.
Exigências
Segundo o ministro da Defesa, o país não planeja nenhuma ação militar. "Mas, ao mesmo tempo, até que o Paquistão empreenda ações contra os terroristas que atuam de seu território contra a Índia e também contra todos aqueles que estão por trás do ataque terrorista em Mumbai, as coisas não serão normais".
O tom de exigência foi repetido por Mujerjee. "Nossa expectativa, e que destacamos a Shah Mahmoo Qureshi [chanceler paquistanês], é que o Paquistão deve cumprir os compromissos de não permitir que seu território seja usado para lançar ataques terroristas contra a Índia".
A Índia exigiu ao Paquistão o desmantelamento da infra-estrutura do Lashkar-e-Taiba em seu território e a entrega de dezenas de supostos terroristas. O Paquistão prometeu colaborar com as investigações, mas reiterou que quer julgar os supostos terroristas em seu próprio território.
"Não posso dizer qual será o andamento das ações que tomaremos, mas, a menos que Paquistão mostre com seus atos a sinceridade de suas palavras, uma coisa é certa: não há possibilidade de que as coisas continuem como sempre", afirmou Antony.
O ministro de Defesa negou, contudo, que a Índia vá romper o cessar-fogo que vigora desde 2003 na linha de controle que divide provisoriamente a região da Caxemira, que ambos os Estados disputam desde sua independência.
O ministro indiano disse ainda que as Forças Armadas da Índia estão em alerta vermelho desde o atentado e "preparadas, como sempre" para qualquer eventualidade.
Antony fez estas declarações acompanhado dos chefes dos três braços das Forças Armadas, durante uma oferta de flores no Portão da Índia por ocasião dos 37 anos da independência de Bangladesh (antiga Paquistão Oriental), que contou com apoio indiano em sua guerra contra o Paquistão Ocidental (atual Paquistão).
Com Efe, France Presse e Reuters
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