Iraquianos reivindicam libertação de jornalista que jogou sapato em Bush
da Folha Online
Manifestantes em várias partes do Iraque protestaram nesta terça-feira pela libertação do jornalista de TV Muntadhar al Zaidi, que atirou seus sapatos no presidente americano, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva no domingo (14).
Centenas de estudantes da Universidade de Diyala, em Baquba, carregavam faixas pedindo que as autoridades iraquianas libertem o jornalista descrito pelos manifestantes como um "iraquiano honroso".
Protestos estudantis menores aconteceram também em Fallujah, na Província de Anbar, e em duas localidades da capital Bagdá, na Universidade Bagdá e no distrito de Amerya.
| Hatem Moussa/AP |
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| Palestinos pisam em foto de Bush, em protesto pela libertação do jornalista iraquiano |
O jornalista lançou seus sapatos contra Bush enquanto o presidente falava na coletiva ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al Maliki. O repórter se levantou, a cerca de três metros de distância do americano, e gritou, em árabe: "este é o seu beijo de despedida, seu cachorro".
No Iraque, jogar sapato contra uma pessoa é um grave insulto. Significa que a pessoa é menos que um calçado, que fica sempre no chão e sujo. O primeiro-ministro iraquiano ainda fez um gesto para proteger Bush, que desviou dos sapatos em uma imagem que rodou todo o mundo.
A rede Al Bagdadia, na qual o jornalista trabalha, iniciou uma campanha pela libertação de Zaidi com a participação de várias personalidades que falam em favor do repórter.
Os iraquianos recebem diariamente mensagens de apoio ao jornalista, algumas delas poemas curtos. Várias páginas de internet foram criadas em apoio ao ato de Zaidi.
Herói
O ato de protesto de Zaidi o transformou em um herói para o mundo árabe, principalmente os críticos da invasão americana em 2003. Desde a detenção do jornalista, milhares saem às ruas para protestar contra Bush e a presença americana. Na Arábia Saudita, afirma o jornal "The New York Times", um homem chegou a oferecer US$ 10 milhões para comprar um dos sapatos lançados contra Bush.
A filha do líder líbio, Muammar el Qaddafi, concedeu uma medalha de coragem a Zaidi.
Em Gaza, grupo de palestinos dos Comitês de Resistência Popular pisaram em retratos de Bush em apoio ao jornalista iraquiano. O protesto pedia a libertação de Zaidi. O tema dominou as conversas e noticiários iraquianos que mostravam moradores orgulhosos do ato de revolta de Zaidi.
Prisão
O irmão do jornalista, Dhirgham al Zaidi, disse que ele odeia a ocupação americana no Iraque, assim como a influência iraniana. Ele afirmou ainda que o jornalista foi espancado na prisão. Segundo ele, Zaidi teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido sangramento interno e um ferimento no olho. O jornalista, afirma a agência de notícias Associated Press, foi entregue o Poder Judiciário iraquiano, uma medida que indica o começo de um processo criminal.
De acordo com a advogada Tarek Harb, entrevistada pela agência de notícias France Presse, o jornalista pode ser condenado a pelo menos dois anos na prisão se for processado por "insulto a um líder estrangeiro em visita ao Iraque."
Zaidi foi preso logo após lançar os sapatos contra Bush pelas forças de segurança do primeiro-ministro e entregue ao Exército iraquiano. O Exército, por sua vez, o entregou ao judiciário que deve rever as evidências e indicar se o jornalista será julgado ou libertado. Ao menos 200 advogados já se ofereceram para defender, gratuitamente, o jornalista iraquiano, mas, segundo Dhirgham al Zaidi, nenhum teve acesso ao repórter.
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