Mundo
16/12/2008 - 17h13

Morales anuncia que só dará entrevistas a jornalistas estrangeiros

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colaboração para a Folha Online

O presidente boliviano, Evo Morales, vai convocar apenas a imprensa internacional para as suas entrevistas coletivas, enquanto os jornalistas do seu país "não pedirem desculpas ao povo pela manipulação que fazem das notícias", informou nesta terça-feira a estatal Agência Boliviana de Informação (ABI).

Morales falou sobre o assunto na segunda-feira no departamento de Cochabamba, na região central do país, antes de viajar para o Brasil onde está participando das cúpulas do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), do Grupo do Rio e da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc).

"Em todo o caso vou convocar jornalistas das agências internacionais, porque penso que são mais responsáveis no tratamento da informação", disse o presidente, segundo a ABI.

Morales mantém uma relação conflituosa com a imprensa do seu país, acentuada após um incidente, na terça-feira passada (09), quando exigiu que um repórter do jornal "La Prensa" ficasse ao seu lado durante uma coletiva no palácio presidencial. O presidente disse que se o repórter não se aproximasse, para receber documentos que supostamente desmentiriam uma matéria do jornal, isso significaria que tinha mentido na reportagem.

O jornal informou que o jornalista não foi o autor da matéria em que o presidente foi acusado de negociar com os contrabandistas dois meses antes de estourar um escândalo na região de Pando quando a polícia deteve 33 caminhões que pretendiam passar para o Brasil.

O incidente no palácio desencadeou críticas contra Morales vindas de associações de jornalistas, da mídia, dos partidos da oposição, do Defensor do Povo --um ouvidor eleito pelo Congresso-- e da Igreja Católica.

As críticas apontam que Morales cometeu um "abuso de poder" e que humilhou o repórter

Morales expressou sua posição na segunda-feira, depois que jornalistas de várias cidades do país fizeram diversos atos de protesto em oposição ao que eles vêem como "agressões" governo Morales e em defesa da liberdade de imprensa e de expressão.

No entanto, o governo Morales tem reafirmado o seu respeito pela liberdade de expressão e acusou a mídia boliviana de agir com "libertinagem", porque publica o que quer, na sua opinião.

Com Efe

 

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