Mundo
17/12/2008 - 08h30

Al Qaeda chegou ao Iraque após EUA, diz Bush

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ANDREA MURTA
da Folha de S.Paulo, em Nova York

Apesar das críticas e sapatadas, George W. Bush continua alimentando com entrevistas a impopularidade recorde com que deixará a Presidência dos EUA em 35 dias. Na polêmica da vez, ele confirmou à rede ABC que a Al Qaeda só transformou o Iraque em um centro de operações após a invasão pelos EUA e arrematou: "E daí?".

A entrevista foi feita na visita de Bush ao Iraque no fim de semana. Ao falar do legado da guerra, ele foi interrompido pela entrevistadora, que afirmou que a instalação da rede terrorista no país árabe só ocorreu após a invasão em 2003. "Certo. E daí?" respondeu Bush. "No mundo pós-11 de Setembro, Saddam Hussein era uma ameaça. E depois que ele foi retirado, a Al Qaeda se instalou."

Em seguida, ele se atrapalhou para explicar por que o ditador iraquiano, executado em dezembro de 2006, era uma ameaça aos EUA, já que não havia armas de destruição em massa no Iraque. "É verdade, não acharam nada", disse Bush. "Mas ele era um inimigo jurado dos EUA, um patrocinador do terrorismo. Eu não tive o 'luxo' de saber que ele não tinha [as armas] até depois da invasão."

O presidente ainda negou ter dito que Saddam tinha ligação direta com o 11 de Setembro. Mas admitiu que a atuação americana, alardeada em 2003 como rápida e certeira, não correspondeu à expectativa: "Está levando mais tempo e sendo mais cara do que pensávamos".

O presidente só reagiu com bom humor quando questionado sobre a agressão de um jornalista iraquiano, que o atacou com sapatos em uma entrevista coletiva no domingo. "Acho que ele queria aparecer na TV e conseguiu. Não acho que foi uma reação de raiva contra o sistema." À CNN ele quase defendeu o iraquiano: "[As autoridades iraquianas] não devem fazer tempestade em copo d'água".

Além de Bush, o vice-presidente Dick Cheney também contribuiu para a polêmica.

Ele defendeu à ABC as técnicas de interrogatório usadas pela CIA, inclusive a de simulação de afogamento, um tipo de tortura. Indagado sobre o uso da técnica contra Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor do 11 de Setembro, Cheney disse que foi consultado e o aprovou. Mohammed está preso na base militar dos EUA em Guantánamo (Cuba).

"Metade do que sabemos sobre a Al Qaeda vem desse sujeito, então os resultados falam por si", disse. Ele ainda defendeu a manutenção da prisão de Guantánamo enquanto durar a guerra ao terror --o sucessor de Bush, Barack Obama, assume em janeiro e promete fechá-la.

Ainda ontem, a Casa Branca enviou ao Congresso um relatório sobre o status das ações militares dos EUA na guerra contra o terror. A carta especifica em 152.035 os militares americanos no Iraque e diz que operações no Afeganistão, na região do Pacífico, na Europa, na África e outros foram "bem-sucedidas em debilitar seriamente as forças da Al Qaeda".

 

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