Mundo
17/12/2008 - 11h19

Médico é condenado a 32 anos de prisão por tentativa de ataque terrorista

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da Folha Online

O médico iraquiano Bilal Abdullah foi condenado nesta quarta-feira a, ao menos, 32 anos de prisão por arquitetar atentados com carro-bomba em Londres e Glasgow em junho de 2007, nos quais morreu seu cúmplice, Kafeel Ahmed.

Abdullah, 29, foi considerado culpado por conspiração para assassinar e conspiração para causar explosões. Ao pronunciar a sentença, o juiz classificou o médico de "extremista religioso e intolerante".

Outro acusado em relação ao caso, o neurologista jordaniano Mohammed Asha, 28, foi absolvido pelas mesmas acusações, mas pode ser deportado.

Efe
Imagem de arquivo mostra o médico Bilal Abdullah, condenado a 32 anos de prisão
Imagem de arquivo mostra o médico Bilal Abdullah, condenado a 32 anos

Ao justificar a condenação, o juiz disse que "todas as provas o apresentam como um homem muito perigoso, que representa um grande risco de danos para o público britânico em seu estado mental atual".

"Muita gente sentiu, e ainda sente, uma grande oposição à invasão do Iraque, como o senhor. Nisso é sincero, e tem razões sólidas para manter essa opinião", argumentou o juiz. "Mas o senhor nasceu com inteligência e nasceu em uma posição confortável e privilegiada no Iraque, e se formou como médico".

A ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, disse que a condenação de Abdullah ressalta "a ameaça séria e contínua" de terrorismo que o Reino Unido enfrenta.

Atentados

No dia 29 de junho, dois carros com gasolina, pregos e cilindros de gás foram encontrados em Londres. No dia seguinte, um jipe carregado com cilindros de gás foi jogado contra o aeroporto internacional de Glasgow.

Abdullah estava com Kafeel Ahmed, que dirigia o jipe atirado contra o aeroporto de Glasgow. Ele sofreu graves queimaduras em 90% do corpo após a tentativa de ataque, ficou em coma durante um mês e morreu.

Eles colocaram os dois carros-bomba em pleno centro de Londres, mas os dispositivos de detonação falharam.

Durante o julgamento, Abdullah, que trabalhou na previdência social britânica, admitiu que, segundo a legislação deste país, era um terrorista. No entanto, disse que não fazia parte de uma conspiração para matar e que tanto ele quanto Ahmed só queriam chamar a atenção sobre a situação no Iraque e no Afeganistão.

Risco

Durante o julgamento, a acusação argumentou que os réus, que vieram ao Reino Unido para estudar e trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (NHS), eram membros de uma célula terrorista islâmica que queria restabelecer o terror causado pelos atentados de 7 de julho de 2005.

Eles passaram vários meses comprando veículos, alugando propriedades e preparando bombas, disse o promotor Jonathan Laidlaw ao júri.

Laidlaw afirmou que os homens, que se conheceram quando estudavam, tinham acesso a mais material explosivo, detonadores para telefone celular e pelo menos outros dois veículos para cometer ataques.

Com Efe, France Presse e Associated Press

 

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