Mundo
17/12/2008 - 12h10

Estudantes fincam bandeiras em Acrópole no 12º dia de protestos na Grécia

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da Folha Online

Estudantes gregos fincaram nesta quarta-feira duas bandeiras no alto da montanha onde fica a Acrópole, o monumento histórico mais visitado do país, no 12º dia de manifestações pela morte de um adolescente baleado por um policial.

Os cerca de 50 jovens fizeram uma grande bandeira com a palavra "resistência" em grego, francês, italiano, inglês e alemão. Minutos depois, colocaram outra bandeira com a menção em inglês "December 18th, Demonstration of solidarity in all Europe" ("18 de dezembro, manifestações de solidariedade em toda a Europa"), relata um jornalista da agência France Presse.

Lefteris Pitarakis/AP
Manifestantes fincam bandeira em Acrópole, no 12º dia de protestos na Grécia
Manifestantes fincam bandeira em Acrópole, no 12º dia de protestos na Grécia

A ação desta quarta-feira foi organizada pela coordenadora de estudantes de Atenas que prevê para quinta-feira uma grande manifestação na capital grega. As bandeiras foram retiradas duas horas depois.

Os protestos começaram após a morte de Alexis Grigoropulos, 15. O incidente aconteceu às 21h do sábado (6) (16h, no horário de Brasília), na periferia de Atenas. De acordo com a polícia, Grigoropulos foi atingido por três tiros dados pelo policial Epaminondas Korkoneas, 37, quando, com outros 30 jovens, atirava pedras e outros objetos contra um carro da polícia.

Korkoneas, que alega não ter atirado intencionalmente em Grigoropulos, está na prisão de Korydallos.

O relatório de balística ainda não foi divulgado, mas pode esclarecer se o agente atirou intencionalmente contra o jovem ou se a bala atingiu Alexis após um disparo para o ar, como alega a defesa do agente.

Pacíficos

Embora ainda haja alguns distúrbios violentos em partes do país, a maioria dos jovens gregos protagoniza protestos pacíficos contra a violência policial e o governo do conservador primeiro-ministro, Costa Karamanlis.

Nesta terça-feira, cerca de 20 estudantes ocuparam o prédio da rede de televisão estatal grega, interrompendo uma transmissão de noticiário. "Eles vieram pacificamente. Não foi usada força e eles pediram para protestar no ar sobre a morte do jovem", disse um policial, que não quis se identificar.

O canal mostrou imagens dos manifestantes durante alguns momentos, antes de mudar bruscamente para comerciais e imagens do conservador primeiro-ministro, Costas Karamanlis, discursando aos parlamentares nesta terça-feira.

Um outro grupo de manifestantes invadiu três emissoras de rádio, na cidade de Salônica, na Grécia, para obrigar a transmissão de mensagens de ordem. Os jovens pedem para a população ir às ruas protestar contra a morte de Grigoropulos.

Prejuízos

Os violentos protestos já causaram um dano de 200 milhões de euros (R$ 630,7 milhões) e danificaram cerca de 435 estabelecimentos comerciais de Atenas, segundo a União de Comerciantes de Atenas.

Ao todo, segundo a organização, 32 estabelecimentos foram completamente destruídos pelos manifestantes. Entre os estabelecimentos danificados, há 16 filiais de bancos e supermercados e 40 lojas de departamentos.

Cerca de 100 escolas de nível médio estão fechadas desde o início dos protestos,de acordo como Ministério da Educação. Várias universidades continuam ocupadas pelos manifestantes desde o início da onda de protestos.

A oposição acusa Karamanlis de ter instaurado uma crise financeira no país. "Os gregos estão perdendo a paciência. Nosso salário acaba antes do final do mês", disse o porta-voz dos socialistas, Giorgos Papaconstantinou que afirmou que as "pessoas querem soluções para os problemas e não discursos".

 

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