Obama quer fechar prisão de Guantánamo em dois anos
da Folha Online
Atualizado às 08h11.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, estabeleceu como meta de seu governo fechar a prisão americana em Guantánamo, Cuba, antes das eleições legislativas de novembro de 2010 o e o fim do uso da tortura, segundo a revista "Time".
Questionado pela revista sobre como poderá medir o êxito de sua administração dentro de dois anos, Obama indicou que poderia ser comprovada "com o fechamento de Guantánamo de uma maneira responsável, pondo um fim inequívoco à tortura e restaurando o equilíbrio entre as exigências da segurança e da Constituição dos EUA".
Guantánamo é um dos temas mais polêmicos do governo do atual presidente americano, George W. Bush. A prisão, que conta com cerca de 250 detentos, é o destino dos suspeitos de terrorismo capturados pelos EUA.
| Brian Kersey-09nov.08/Efe |
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| Barack Obama afirmou em entrevista à revista "Time" que quer fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, em dois anos |
O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, defendeu recentemente a existência de Guantánamo até que a luta contra o terrorismo acabe. Ele defendeu também o uso da técnica de "waterboarding" (simulação de asfixia) nos interrogatórios em Guantánamo, considerado tortura e violação dos direitos humanos por organizações internacionais.
Sob o governo Obama, os ativistas de direitos humanos esperam uma mudança na política de Washington em relação à Guantánamo. Em um encontro internacional realizado em Atlanta, no começo do mês, eles elaboraram uma lista de recomendações para Obama, incluindo a formação de uma comissão bipartidária para analisar métodos de interrogação e práticas usadas contra presos. Os ativistas pedem também o fim da tortura em Guantánamo.
Até mesmo os militares pedem mudança na política de Bush para a área. Em um encontro com o presidente-eleito, no começo do mês, um grupo de militares aposentados pediu que o democrata coloque um fim às orientações da administração Bush sobre interrogatórios, prisões e rendição, além do fechamento de Guantánamo.
A principal reivindicação é o fim da autonomia concedida pela Casa Branca ao serviço nacional de inteligência americano para usar técnicas de interrogatório que extrapolam os limites aprovados pelo militares. Entre elas, impedir os detentos de dormir e afogamentos simulados, métodos que haviam sido banidos em 2003 e voltaram a ser usados sob o consentimento da Casa Branca.
Guerra
O democrata Obama, que assume a Casa Branca em 20 de janeiro de 2009, afirmou ainda que o sucesso de sua administração poderá ser medido com "a redução das tropas no Iraque e o fortalecimento do planejamento para o Afeganistão, não só no plano militar, mas também no diplomático, além do desenvolvimento econômico".
O fim da Guerra do Iraque e o maior investimento militar no Afeganistão --onde estão "os verdadeiros terroristas responsáveis por 11 de Setembro"-- foi uma das principais plataformas da campanha do presidente eleito.
Segundo Obama, para os dois primeiros anos de seu governo, será uma prioridade conseguir "reavivar as instituições internacionais para enfrentar os perigos mundiais --como a mudança climática-- que não podem ser solucionados apenas pelos EUA".
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